O jornalista francês Ignácio Ramonet, do Le Monde Diplomatique, um dos
mais respeitados teóricos da comunicação da atualidade, fez a primeira
palestra do Seminário Internacional de Diversidade Cultural.
Em
síntese, Ramonet abordou os impactos da globalização na cultura
contemporânea e na organização das comunicações. A globalização, para
ele, é a ocidentalização do mundo e a superação dessa condição exige
que os estados nacionais ajam para proteger a diversidade de culturas
dentro de seu território.
Para promover e proteger a diversidade
cultural, Ramonet defende a diversidade midiática. Ou seja, mais e mais
democráticos meios de comunicação.
Também defendeu que os
estados nacionais valorizem a Convenção sobre a Diversidade Cultural,
da Unesco, como fazem com os mecanismos da Organização Mundial
do Comércio (OMC) e de outras instituições multilaterais.
Se os governos
fizerem isso, terão elementos para defender suas culturas, como fez, no
exemplo citado por Ramonet, a Coréia do Sul, país que superou o
subdesenvolvimento por meio de políticas de proteção e valorização da
cultura nacional. "A Coréia foi
uma colônia japonesa até 1945, sua cultura foi quase aniquilada. Hoje,
as séries coreanas de televisão são idolatradas no Japão".
A
convenção, na avaliação do jornalista, é a forma de os estados
nacionais agirem em seu próprio benefício sem serem acusados de
protecionistas. "Diante das ameaças de ocidentalização do mundo, é cada
vez mais
legítimo pensarmos formas de proteção da cultura. É cada vez mais
importante que
os países que desejam proteger sua diversidade cultural, seus grupos
minoritários, ajam nesse sentido", disse.