O entrevistador do IBGE
entra na sua casa para fazer o questionário do Censo
Demográfico e, ao invés das tradicionais perguntas
sobre escolaridade, renda, bens etc, quer saber se os moradores têm
necessidades básicas culturais insatisfeitas. O diretor
do Observatório de Políticas Culturais do Uruguai, Hugo
Achugar, apresentou esta proposta em sua palestra de hoje.

Segundo
ele, é preciso fazer uma ponte entre as questões
tradicionais usadas para medir o desenvolvimento sócio-econômico,
como habitação, saneamento, saúde, e as
necessidades culturais básicas.
“Os censos atuais
medem a quantidade de TVs, rádios, computadores etc etc, mas
não medem quais as necessidades básicas insatisfeitas.
Será que não ter computador não é uma?”,
questionou o professor.
No entanto, ele pondera
que não seria o caso de implantar a noção de
pobreza cultural, “que é de difícil determinação,
argumentação, é polêmica”. Isso poderia
indicar uma distinção centrada em valores considerados
universais, o que seria instrumento de discriminação
cultural. “Por isso, preferimos centrar em necessidades básicas
culturais, não em pobreza”.