by
Emerson Luis
—
em
2008-04-17 16:05
last modified
2008-04-17 16:12
A plenária sobre Inclusão
Digital e Software Livre, com mesa coordenada por Kiki Mori,
assessora para Inclusão Digital da Secretaria de Logística
e Tecnologia da Informação do Ministério do
Planejamento, reuniu no FISL 9.0 diversos programas de inclusão
digital públicos. Representantes do Gesac, Territórios
da Cidadania e Casa Brasil estavam presentes, debatendo com membros
da sociedade civil como fortalecer a cooperação entre
os programas, para incentivar o acesso e a capacitação
dos frequentadores dos projetos públicos.
O uso de software livre e o seu
compartilhamento entre os projetos foi um dos focos da discussão.
A padronização das distribuições Linux
usadas nos programas foi abordada. Contextuando: no universo livre,
encabeçado pelo sistema operacional Linux, existem várias
distribuições, as chamadas distros. A partir do kernel
do Linux, empresas e usuários comuns criam suas próprias
plataformas.
Guto Carvalho, implementador social do
programa Gesac, lembrou na plenária que o uso de diversas
distros pode respeitar a realidade de cada programa, partindo da
igualdade da base da plataforma, sem necessariamente de padronizar
ferramentas e aplicativos.
by
Danielle Almeida Pereira
—
em
2008-04-18 21:03
last modified
2008-04-22 14:42
No Fisl do ano passado, David Cavallo, um dos principais
pesquisadores do Laboratório do Futuro da Aprendizagem do Instituto de
Tecnologia de Massachusets (MIT, Massachusetts Institute of Technology), disse
que o Brasil será modelo de educação digital infantil em
países pobres.
Ele se referia à parceria do governo
federal junto ao MIT para realizar o projeto OLPC (One Laptop Per
Child), ou UCA aqui no Brasil (Um Computador por Criança). A idéia é levar computadores
portáteis às escolas públicas como forma de inovar no ensino.
Um projeto piloto é desenvolvido aqui no Sul pelo Laboratório de Estudos Cognitivos (LEC) da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Léa da Cruz Fagundes é
coordenadora de pesquisas do LEC e pesquisadora em informática educativa.
Em palestra sobre educação e inclusão digital, a
pesquisadora falou de um fracasso generalizado do ensino e diz que a escola não
está incluída na cultura digital.
“A escola continua conservadora. Precisamos saber o que conservar
e o que inovar”. Fagundes defende que essa inovação passa pela mudança dos
professores e deve acontecer na prática educacional de forma mais ampla.
Ela diz que o Brasil está entre os piores no ranking de ensino
do mundo, mas que precisamos discutir como mudar isso, como mudar a concepção
da educação e defende que os “métodos de inovação devem ser criativos”, daí a
importância do desenvolvimento de softwares livres.
De acordo com Juliano Bittencourt, coordenador tecnológico
no LEC, a Escola Estadual de Ensino Fundamental Luciana de Abreu possui 350 computadores para
alunos e professores. Bittencourt afirma que está em licitação e que o governo
federal deve comprar 150 laptops no ano que vem.
Segundo ele, há desafios para se ampliar o projeto por causa
do número de alunos no país- 33 milhões no ensino fundamental.
O último modelo de laptop para o projeto custa hoje U$ 185. Mas,
para ele, há previsão de baixar o custo ainda este ano.
by
Danielle Almeida Pereira
—
em
2008-04-19 12:04
last modified
2008-04-19 23:18
Como vemos em outras profissões, a área de informática também
é propensa a estereótipos de gênero? Ou melhor, qual é a participação das mulheres
nessa área? Elas são bem aceitas? E como foi a participação da mulher nessa
nona edição do Fisl? Foram quase 400 palestrantes e mais de 7 mil
participantes. Quantos deles são mulheres? O Fisl é um evento predominantemente
“masculino”?
Após levantar essas questões, conversamos com Fabianne
Balvedi, militante dos direitos femininos e do software livre, além de
pesquisadora de mídias livres. Ela já participou de inúmeras edições do Fisl, mas, este ano, preferiu não ir. Balvedi mora em Curitiba e falamos com ela via internet.
O bate-papo rendeu. Confira:
Agência Brasil: Queria, primeiro, que você fizesse um breve resumo de suas
ações e de sua participação no desenvolvimento de softwares livres. Explique
um pouco para a gente também como funciona o Estúdio Livre...
Fabianne Balvedi: Bem, eu não sou programadora de software. Por isso, minha
participação na comunidade de software livre é em relação a suporte,
documentação e tradução de softwares. A documentação também envolve pesquisa. É
principalmente na pesquisa que eu me envolvo e, por isso, o projeto do Estúdio
Livre. Te passo os links:
ABr: Você
participou de várias edições do Fisl e divulgou, inclusive, um vídeo sobre a
mulher e o software livre. Qual a sua impressão quanto à participação das
mulheres nesse assunto? Na sua opinião, o software livre liberta a mulher?
Balvedi: Eu acho que o software livre para
a mulher é um paradoxo, pois ao mesmo tempo que liberta, também
"prende"
ABr: Como
assim?
Balvedi: Prende em relação a hábitos discriminatórios enraizados na
cultura das tecnologias. E liberta no sentido de que hoje as informações
estão disponíveis mais do que nunca para quem não se deixa levar por
conceitos pré concebidos
ABr: Você poderia dar exemplos de que hábitos são esses?
Balvedi: A competição é um deles. Apesar do Software Livre passar a
idéia de ambiente colaborativo, a integração passa geralmente pela
meritocracia
ABr: Mas, onde a mulher entra nisso?
Balvedi: Geralmente as mulheres são cobradas muito mais que os homens em
relação às suas competências e, num ambiente onde o mérito conta muito, essas
cobranças acabam por sobrecarregar as expectativas em relação ao desempenho
das mulheres
ABr: Então
o mundo real encontra reflexo no mundo virtual? No caso dessa competição, por
exemplo...
Balvedi: Sim, com certeza. Já soube de muitas histórias de mulheres que se
fizeram passar por homem para não sofrer preconceito
ABr: É
aí que existe o paradoxo? Já que uma tecnologia livre entra no mundo da
competição?
Balvedi: Sim, isso mesmo
ABr: Você
disse que o software livre liberta. Como isso acontece?
Balvedi: Ah, liberta por propiciar à mulher a possibilidade dela estudar os códigos
e ter acesso às documentações livremente. Quando a mulher se liberta internamente
de suas próprias amarras, o software livre permite que ela mergulhe num mundo
de conhecimento anteriormente não disponível. A internet, por ser aberta,
permite isso. Fui convidada para palestrar em Luanda (África) sobre a questão
de gênero na tecnologia e minha palestra será sobre isso. Ainda não está
certo se conseguirão patrocínio para minha viagem, mas posso te passar o
resumo que enviei para o I Fórum de Software Livre de Luanda:
"Sim,
você pode!"
Durante o 8 Fórum Internacional Software Livre
em Porto Alegre,
a interface g2g circulou pelo evento
perguntando: o software livre liberta a mulher?
As respostas foram as mais diversas, mas as
que mais preocuparam foram as que afirmavam
que tecnologia não é coisa para mulheres. Esta
apresentação pretende tirar o "não" desta frase,
apontando ações afirmativas que desmistifiquem
a idéia de que o gênero de uma pessoa seja um fator
limitador de suas ações, que define o que se pode
ou não fazer dentro de uma sociedade.
Eu vou
fazer a apresentação em cima do vídeo
focando nas
ações pró-ativas para a libertação das mulheres
Abr: A questão do hacker e do
anonimato também seria algo contraditório aqui? Ou seja, você citou caso de
mulheres que se disfarçam de homens para evitar o preconceito... e com o
anonimato, isso não muda?
Balvedi: O anonimato funciona só em
parte. Se você quer um emprego, não pode manter sempre suas
ações anônimas. Se você quer participar de uma comunidade meritocrática, quem
recebe o mérito é seu Nick (pseudônimo usado por desenvolvedores na
internet). Se teu nick não é associado a seu nome, apenas no mundo virtual você
recebe mérito, não no mundo real.
ABr: Mas
existe uma forma de a mulher se libertar então?
Balvedi: Existe no sentido de que temos de nos conscientizar de que nós podemos,
temos "armas" para tanto, a informação está disponível, agora é
acreditar que é possível
ABr: Bom,
você participou de várias edições do Fisl, mas esse ano não quis participar.
Qual a sua impressão do evento e da evolução dele? Em que ele mudou e o que
ele tem mudado dentro das comunidades e dos interessados em software livre?
Balvedi: Antes de responder, achei o link do artigo que fala que o software
livre é sexista: http://cofradia.org/modules.php?name=News&file=article&sid=16811.
Tem uma discussão boa ali no fórum abaixo, em que dizem que não é o SL em si
que é sexista, e nisso eu concordo. São as comunidades que o são.
ABr: E
o Fisl? Me chamou a atenção o número reduzido de mulheres aqui...
Balvedi: É que esta questão não é tratada ainda com a devida seriedade pelo
evento. Nas mesas de debate você raramente vê mulheres. Ano passado
propusemos um debate sobre cultura livre ao evento e barraram justamente uma
das mulheres.
Abr: Fabianne,
você teria alguma consideração que gostaria de fazer e que não conversamos
aqui?
Balvedi: Sim. Ainda em relação à questão de gênero, queria colar aqui um trecho
que o GT-Mulher do CREA-PR enviou como proposta ao Fórum da Mulher no WEC
"Além do desafio diário que a mulher passa para se impor perante
seus
colegas do sexo oposto, ainda ocorre uma situação pior: o preconceito
da mulher contra ela mesma. Muitas ainda tem uma visão
auto-depreciativa de sua posição, tanto nas relações pessoais como nas
profissionais. Isto acontece porque o preconceito contra a mulher
sempre esteve inserido em nossa sociedade e muitas pessoas são levadas
a agir naturalmente com esta linha de pensamento, pois para elas isto
é normal. Este preconceito também leva as mulheres a buscarem
confrontações com elas mesmas, principalmente em ambientes altamente
competitivos. Sob o estereótipo de "sexo frágil", tem-se a falsa
impressão de que seria mais fácil "vencer" alguém com estas
características, o que as sinaliza ainda mais como alvo fácil de
críticas e expectativas que vão muito além do que seria normalmente
exigido de um homem."
Segue também um texto muito bom sobre a competição ser uma
característica masculina. Que fique claro que tenho consciência de que todos
temos características femininas e masculinas independente do sexo. Mas elas se desequilibram,
infelizmente.
"Nossa cultura tem favorecido, com firmeza, valores
e atitudes yang, ou masculinos, e tem negligenciado
seus valores e atitudes complementares yin, ou femininos.
Temos favorecido a auto-afirmação em vez da integração,
a análise em vez da síntese, o conhecimento racional em vez da
sabedoria intuitiva, a ciência em vez da religião, a competição em vez
da cooperação, a expansão em vez da conservação, e assim por diante.
Esse desenvolvimento unilateral atinge agora, em alto grau, um nível
alarmante, uma crise de dimensões sociais, ecológicas, morais e
espirituais.
Estamos, no entanto, testemunhando ao mesmo tempo o início de um
espantoso movimento evolutivo que parece ilustrar o antigo ensinamento
chinês segundo o qual 'o yang, tendo atingido seu clímax, retrocede em
favor do yin'. As décadas de 60 e 70 geraram toda uma série de
movimentos sociais que parecem caminhar nesta mesma direção. A
preocupação crescente com a ecologia, o forte interesse pelo
misticismo, a progressiva conscientização feminista e a redescoberta
de acessos holísticos à saúde e à cura são manifestações da mesma
tendência evolucionária".
Tao da Física
Abr: Ok, Fabianne, muito obrigada!
lvedi: Bem legal falar contigo. Espero que
tenha ajudado.
by
Danielle Almeida Pereira
—
em
2008-04-22 16:28
last modified
2008-04-22 16:28
Durante entrevista à Agência Brasil, a militante e
pesquisadora de mídias livres, Fabianne Balvedi, disse que a participação
feminina no Fisl “não é tratada ainda com a devida seriedade pelo evento”.
“Nas mesas de debate você raramente vê mulheres. Ano passado
propusemos um debate sobre cultura livre ao evento e barraram justamente uma
das mulheres”, conta.
Conversamos com o organizador do Fisl, Mario Teza, sobre a
participação das mulheres no evento e a inserção do debate quanto à
participação feminina no universo do software livre.
De acordo com o organizador, “existe um déficit nessa área”. Teza citou pesquisa da Intel que levanta os seguintes dados:
na área de tecnologia da informação, a participação da mulher é de 20%, já na
área de software livre, essa participação cai para 2%.
Mas ele afirma
que o Fisl é um dos maiores eventos com participação de mulheres. O organizador
garante, ainda, que o fórum tem a “preocupação com a questão de gênero”. “No
primeiro Fisl houve palestra da Organização das Nações Unidas para a Educação,
a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre participação das mulheres no software
livre”, diz.