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Abr: A questão do hacker e do
anonimato também seria algo contraditório aqui? Ou seja, você citou caso de
mulheres que se disfarçam de homens para evitar o preconceito... e com o
anonimato, isso não muda?
Balvedi: O anonimato funciona só em
parte. Se você quer um emprego, não pode manter sempre suas
ações anônimas. Se você quer participar de uma comunidade meritocrática, quem
recebe o mérito é seu Nick (pseudônimo usado por desenvolvedores na
internet). Se teu nick não é associado a seu nome, apenas no mundo virtual você
recebe mérito, não no mundo real.
ABr: Mas
existe uma forma de a mulher se libertar então?
Balvedi: Existe no sentido de que temos de nos conscientizar de que nós podemos,
temos "armas" para tanto, a informação está disponível, agora é
acreditar que é possível
ABr: Bom,
você participou de várias edições do Fisl, mas esse ano não quis participar.
Qual a sua impressão do evento e da evolução dele? Em que ele mudou e o que
ele tem mudado dentro das comunidades e dos interessados em software livre?
Balvedi: Antes de responder, achei o link do artigo que fala que o software
livre é sexista: http://cofradia.org/modules.php?name=News&file=article&sid=16811.
Tem uma discussão boa ali no fórum abaixo, em que dizem que não é o SL em si
que é sexista, e nisso eu concordo. São as comunidades que o são.
ABr: E
o Fisl? Me chamou a atenção o número reduzido de mulheres aqui...
Balvedi: É que esta questão não é tratada ainda com a devida seriedade pelo
evento. Nas mesas de debate você raramente vê mulheres. Ano passado
propusemos um debate sobre cultura livre ao evento e barraram justamente uma
das mulheres.
link pro artigo da flosspols:
http://flosspols.org/deliverables/FLOSSPOLS-D16-Gender_Integrated_Report_of_Findings.pdf
este tá beeeeem completo
Abr: Fabianne,
você teria alguma consideração que gostaria de fazer e que não conversamos
aqui?
Balvedi: Sim. Ainda em relação à questão de gênero, queria colar aqui um trecho
que o GT-Mulher do CREA-PR enviou como proposta ao Fórum da Mulher no WEC
"Além do desafio diário que a mulher passa para se impor perante
seus
colegas do sexo oposto, ainda ocorre uma situação pior: o preconceito
da mulher contra ela mesma. Muitas ainda tem uma visão
auto-depreciativa de sua posição, tanto nas relações pessoais como nas
profissionais. Isto acontece porque o preconceito contra a mulher
sempre esteve inserido em nossa sociedade e muitas pessoas são levadas
a agir naturalmente com esta linha de pensamento, pois para elas isto
é normal. Este preconceito também leva as mulheres a buscarem
confrontações com elas mesmas, principalmente em ambientes altamente
competitivos. Sob o estereótipo de "sexo frágil", tem-se a falsa
impressão de que seria mais fácil "vencer" alguém com estas
características, o que as sinaliza ainda mais como alvo fácil de
críticas e expectativas que vão muito além do que seria normalmente
exigido de um homem."
Segue também um texto muito bom sobre a competição ser uma
característica masculina. Que fique claro que tenho consciência de que todos
temos características femininas e masculinas independente do sexo. Mas elas se desequilibram,
infelizmente.
"Nossa cultura tem favorecido, com firmeza, valores
e atitudes yang, ou masculinos, e tem negligenciado
seus valores e atitudes complementares yin, ou femininos.
Temos favorecido a auto-afirmação em vez da integração,
a análise em vez da síntese, o conhecimento racional em vez da
sabedoria intuitiva, a ciência em vez da religião, a competição em vez
da cooperação, a expansão em vez da conservação, e assim por diante.
Esse desenvolvimento unilateral atinge agora, em alto grau, um nível
alarmante, uma crise de dimensões sociais, ecológicas, morais e
espirituais.
Estamos, no entanto, testemunhando ao mesmo tempo o início de um
espantoso movimento evolutivo que parece ilustrar o antigo ensinamento
chinês segundo o qual 'o yang, tendo atingido seu clímax, retrocede em
favor do yin'. As décadas de 60 e 70 geraram toda uma série de
movimentos sociais que parecem caminhar nesta mesma direção. A
preocupação crescente com a ecologia, o forte interesse pelo
misticismo, a progressiva conscientização feminista e a redescoberta
de acessos holísticos à saúde e à cura são manifestações da mesma
tendência evolucionária".
Tao da Física
Abr: Ok, Fabianne, muito obrigada!![[smile]](file:///C:/DOCUME~1/usuario/CONFIG~1/Temp/msohtml1/06/clip_image002.gif)
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