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São Paulo - A situação do Centro Provisório de Detenção (CDP) de
Araraquara preocupa o coordenador do Movimento Nacional de Direitos
Humanos, Ariel de Castro Alves. Ele afirmou hoje (7) que a Pastoral
Carcerária e entidades de direitos humanos da região tentaram entrar no
presídio, mas mesmo com autorização judicial não obtiveram permissão.
De acordo com ele, a "situação é grave, dramática e absurda, e lembra
as masmorras medievais". Ele reforçou que o fato de em cada metro
quadrado conviverem seis presos viola a legislação, porque as regras da
Organização das Nações Unidas (ONU) para o tratamento de presos
determinam seis metros quadrados para cada preso. "É realmente um
retrato estarrecedor, uma situação de extrema gravidade que precisa ser
solucionada imediatamente".
Alves destacou que por manter os presos nessas condições, o gestor do
sistema penitenciário, ou seja, o governo do estado de São Paulo, pode
ser responsabilizado por crime de tortura, já que os detentos são
submetidos a intenso sofrimento físico e psicológico. "A lei e a
constituição são muito claras, e o estado é obrigado a garantir a vida,
a integridade física e a dignidade das pessoas que estão sob sua
custódia".
Ontem (6) a situação foi discutida em um ato em repúdio às mortes dos
funcionários do sistema prisional, realizado pelas entidades de
direitos humanos na sede do Sindicato dos Funcionários do Sistema
Prisional (Sifuspesp).
Alves afirmou que as organizações de direitos humanos querem deixar
claro que, além de defenderem os direitos dos detentos para que eles
não retornem piores para a sociedade, defendem também os direitos dos
funcionários. "As entidades priorizam os casos ns quais existem falhas
e omissão do estado e o estado tem se omitido e falhado na garantia da
segurança e da integridade dos funcionários do sistema prisional".
Mais de mil presos da penitenciária de Araraquara, no estado de São
Paulo, estão confinados em áreas abertas, sem condições mínimas de
higiene ou atendimento médico, disse o secretário geral no Estado de
São Paulo do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado
de São Paulo (Sindasp), Rozaldo José da Silva. Segundo ele, a situação
é ruim também em outros cinco presídios paulistas.
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