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Brasília - Ultrapassar a cláusula de barreira tornou-se o principal objetivo de dez partidos que possuem representação no Congresso Nacional, mas não
teriam existência formal se a lei já valesse na última eleição. De
acordo com as novas regras, as legendas que não obtiverem 5% do
total de votos apurados para deputado federal no país e 2% em pelo
menos nove estados não poderão eleger líderes, participar da composição
das mesas e indicar membros para comissões tanto na Câmara dos
Deputados quanto nas Assembléias Legislativas - independente do número
de deputados eleitos. Também perderão direito aos recursos do fundo
partidário e à propaganda eleitoral gratuita.
Se os atuais
critérios estivessem em vigor nas eleições de 2002, apenas sete dos atuais
partidos teriam funcionamento parlamentar: PT, PFL, PMDB, PSDB, PP, PSB
e PDT. Sete siglas não alcançaram esse percentual na eleição de 2002 e
já seriam fantasmas nas casas legislativas. Somam-se a estes os três
partidos criados depois das eleições e que hoje têm representação no
Congresso: P-Sol, PRB e PTC. A lista inclui partidos com bancadas
representativas na Câmara, como o PTB, que elegeu 26 deputados federais
em 2002, o PL, com 22 parlamentares, e PCdoB, com 12.
Para
enfrentar a cláusula, alguns partidos desistiram de lançar candidato à
presidência ou coligar-se nacionalmente para ter liberdade de alianças
nos estados e, assim, conquistar os percentuais mínimos de desempenho
exigidos pela cláusula de barreira. É o caso de PPS e PV.
Outros
preferiram arriscar sozinhos uma chapa nacional na expectativa de
fortalecer a sigla, como PSOL, PDT e PSDC. Ainda há uma terceira
estratégia, dos partidos que, sob o risco de não atingir a cláusula,
aliaram-se a campanhas maiores, como o PRB e o PCdoB que juntaram-se ao
PT para apoiar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
A
cláusula de barreira foi instituída pela Lei 9096 de 1995, conhecida
como lei dos Partidos, com previsão para entrada em vigor nas eleições
de 2006. A lei previa um regime de transição para as eleições de 1998 e
2002, mas as regras não chegaram a ser aplicadas em razão de um acordo
de líderes – não fosse isso, teriam perdido funcionalidade parlamentar,
já nas eleições passadas, 8 partidos, entre eles PV, Prona , PSL e PSDC.
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