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Porto Alegre - “O plano diretor (das cidades) é um instrumento básico da
política de desenvolvimento urbano, que influencia diretamente no crescimento
das cidades”. A afirmação foi feita pelo ministro das Cidades, Márcio Fortes,
nesta terça-feira (15), no I Seminário de Desenvolvimento: O Município em
Primeiro de Lugar.
Segundo ele, o instrumento “é determinante para a evolução
dos municípios, pois busca um planejamento ordenado e a ocupação do solo,
corrigindo situações de localidades que cresceram de forma equivocada e
excludente, e hoje sofrem com isso".
Fortes disse que nos últimos 30 anos a urbanização
brasileira acelerou consideravelmente e de forma desordenada. "Houve uma
falta de planejamento, de diretriz e de atenção aos problemas das classes menos
favorecidas, criando-se ocupações de áreas de risco", explicou o ministro.
No Rio Grande do Sul, segundo Fortes, até o dia 10 de
outubro próximo, 121 municípios gaúchos devem apresentar seu plano diretor.
Destes, 14 já estão com os trabalhos concluídos, 98 com as propostas em
andamento, e nove ainda não apresentaram nenhum documento.
"A situação é preocupante, pois existe uma data limite
para o cumprimento da lei", avaliou o ministro, lembrando que os
municípios com mais de 20 mil habitantes; os localizados nas regiões
metropolitanas e os de desenvolvimento turístico devem elaborar, aprovar ou
rever seu plano diretor.
“As administrações que não o fizerem poderão sofrer
punições como improbidade administrativa", alertou. “É importante
transformar esta obrigatoriedade em oportunidade para se repensar o processo de
desenvolvimento das cidades”, destacou o ministro.
“O plano deve ser um verdadeiro pacto sócio-territorial que
de fato transforme a realidade das nossas cidades”, afirmou, destacando que a
elaboração do programa pode se transformar num processo “onde a população
discute a cidade onde mora, trabalha e sonha, apresentando propostas para
corrigir as distorções existentes no município”.
Segundo o Ministério das Cidades, o plano diretor deve ser
conduzido pela prefeitura junto com a sociedade, e aprovado pela Câmara de
Vereadores. “Nele é possível indicar, por exemplo, áreas para a habitação
popular, o local mais adequado para prédios comerciais e prioridades de
investimentos, seja na zona urbana ou rural”.
O objetivo é atender a função social da cidade e da
propriedade, fortalecendo e implementando sistemas de planejamento e gestão nos
municípios.
Para apoiar os municípios e sensibilizar a sociedade da
importância do assunto, o Ministério das Cidades, com o apoio do Conselho das
Cidades, lançou em 2005 a Campanha Nacional Plano Diretor Participativo -
Cidade de Todos. O projeto conta com a participação de diferentes segmentos da
sociedade, que refletem em sua composição e organização a diversidade do país.
Através do programa, são realizadas oficinas de
multiplicadores que apresentam estratégias de mobilização e capacitação dos
agentes envolvidos. Já foram realizados 250 encontros no país, totalizando a
participação de 1.630 municípios.
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