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22 de Agosto de 2006 - 19h04 - Última modificação em 22 de Agosto de 2006 - 19h04


Coordenador de pesquisa da FGV diz que desigualdade diminuiu com programas de transferência de renda

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - A queda da desigualdade social do país nos últimos anos é conseqüência direta do aumento das transferências de renda do Estado para a sociedade, segundo o professor e economista Marcelo Neri, coordenador de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Entre 2002 e 2006, a participação dos 50% mais pobres no total da renda dos brasileiros aumentou de 9,95% para 12,2%. Paralelamente, a parcela referente aos 10% mais ricos caiu de 50,2% para 46,89%.

Essa é uma das principais constatações da pesquisa “Redistribuição à Brasileira: Ingredientes Trabalhistas”, elaborada pelo Centro de Políticas Sociais da FGV. O estudo baseia-se em dados da Pesquisa Mensal de Emprego, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O ano de 2004 é especial, porque a tendência de estagnação é revertida e a renda do trabalhador volta a crescer, principalmente entre os mais pobres”, disse, acrescentando que um dos responsáveis foi o Bolsa Família. “Um programa altamente focado, onde o dinheiro chega realmente aos mais pobres”.

Para o economista, o problema ainda enfrentado pelo país é o fato de que antigos regimes adotados a partir da Constituição de 1988 ainda convivem com novos e, desta forma, faltam recursos. "A sociedade não quer abandonar antigos programas de políticas sociais em detrimento de regimes mais criteriosos e que buscam mais os pobres. E os dois, operando simultaneamente, resultam em alta carga tributária que, conseqüentemente, gera pressão sobre os juros. Isto acaba travando o desempenho da economia,” afirma Neri.

 


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