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São Paulo - O procurador da empresa Google Brasil, Durval Noronha, disse
hoje (23), durante uma conferência por telefone, que a subsidiária brasileira
não tem “nada a ver” com o Orkut e que por isso não tem como informar ao
Ministério Público Federal sobre crimes contra os direitos humanos cometidos
dentro do site de relacionamentos de propriedade da empresa norte-americana
Google Inc.
“Para prestação de informações relacionadas com o serviço
Orkut, que está sediado nos Estados Unidos, deve reger a prestação de informações
à lei americana. Por isso deve ser intimada quem tem controle sobre essas
informações, que é a empresa norte-americana Google Inc. e não a empresa
brasileira, que nada tem a ver com essa atividade”, disse Noronha.
Segundo ele, a subsidiária Google Brasil é “uma empresa
independente (da Google Inc.), controlada por fora, mas com personalidade
jurídica própria”.
Ele explicou que a Google Brasil foi construída de acordo
com as leis brasileiras e tem atividade apenas comercial, para venda de
anúncios. Já a Google Inc. “é uma empresa americana, que tem uma subsidiária
chamada Orkut Inc., que tem um sítio chamado Orkut, que fica sediado nos
Estados Unidos e é operado nos Estados Unidos”, afirmou Noronha.
Ontem (22), o Ministério Público Federal de São Paulo
ajuizou uma ação civil pública solicitando que a Justiça Federal paulista
obrigue a filial brasileira do Google a oferecer os dados de comunidades e
perfis criminosos encontrados no site de relacionamento Orkut, que é
administrado pela empresa norte-americana.
A ação prevê, como sanção, uma multa de R$ 130 milhões e
pode até resultar no fechamento do escritório do Google no Brasil.
“Nós manifestamos nossa estranheza pelo fato do Ministério
Público não querer se relacionar com a Google Inc., que é a empresa que
notoriamente tem estas informações e insistir em obter as informações de quem
não as tem, como é o caso da Google Brasil”, disse o procurador.
Sobre o fato de o Ministério Público solicitar à Justiça
Federal o fechamento da empresa no Brasil, caso ela continue se negando a fornecer
dados de criminosos no Orkut, o procurador disse que se trata de uma “pretensão
absolutamente infundada e aventureira”. “Essa pretensão será certamente
repudiada em juízo. Ela não tem precedente”, garante Noronha.
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