



|
Brasília - O governo federal vai adotar medidas para estimular a economia e faciltiar as relações bancárias. Uma delas é dar ao trabalhador o direito de escolher qual o banco ele quer receber o salário e possibilitar a transferências sem custos da Contribuição Provisório sobre Movimentação Financeira (CPMF). Outra medida anunciada para breve é a liberdade de escolha do trabalhador para trocar sua dívida com o crédito em folha para outro banco de sua preferência.
Ao permitir que o trabalhador
escolha com que instituição bancária quer movimentar sua conta, o governo vai
aumentar a competição entre os bancos. Para o ministro da Fazenda, Guido
Mantega “o sujeito que se sentir atraído
pelas ofertas de outro banco vai poder sair”. Leia alguns trechos da entrevista
exclusiva do ministro à Radiobrás.
Agência Brasil: O Banco de Compensação Internacional (BIS) colocou o
Brasil em primeiro lugar em relação à margem de lucro dos bancos. Coincide com
as medidas que o governo deve tomar para reduzir a taxa que os bancos cobram
dos seus clientes. O que o governo vai fazer para conseguir isso?
Guido Mantega: Vamos aumentar a competição entre os bancos.
Permitir que o cidadão que recebe o salário num banco, se ele quiser, pode
transferir sem nenhum custo para outro banco.
ABr: Sem cobrança de CPMF [Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira]? Mantega: Sem CPMF e sem nenhuma tarifa. Muitas vezes o
cliente que sair de um banco e para impedir que isso aconteça, o banco cobra
uma tarifa alta. Ele vai poder transferir o salário para outro banco sem
custos. O sujeito que se sentir atraído pelas ofertas de outro banco vai poder
sair. E o banco onde ele está vai oferecer mais vantagens e assim estamos
estabelecendo a competição entre os bancos.
ABr: O que impede hoje o trabalhador de escolher a banco
em que quer receber o salário? Mantega: Muitas vezes as empresas negociam a folha de
pagamento com o banco e obtém alguma vantagem em troca. E aí fica o compromisso
de que essa conta não pode sair de lá. O banco cria dificuldades para que essa
conta seja transferida. Por exemplo, uma tarifa elevada. Principalmente em se
tratando de empréstimo, porque nós vamos permitir também a transferência do
empréstimo. Se o cidadão tem o crédito consignado num banco, ele vai poder
transferir isso para outro banco, sem pagar nada. Nenhuma tarifa. Estamos
eliminando esses custos de transferência e estabelecendo que ele tenha
liberdade de pedir a transferência. O banco tem que executar essa transferência
senão ele sofre algumas punições do governo.
ABr: O senhor não concorda que deveria ser um direito do
trabalhador escolher o banco onde vai abrir a conta salário e não a empresa
decidir? Mantega: É o que estamos tentando fazer. É escolha do
cidadão trabalhar com o banco que deseja. Outra coisa, hoje o que atrapalha a
redução da taxa de juros no Brasil é a falta de competição. A competição leva à
redução da taxa de juros. O que queremos é que os bancos corram atrás do
cidadão e não que o cidadão fique pedindo favores para o banco. Queremos que
isso seja invertido. Estamos fomentando a competição. Tem bancos que já estão
oferecendo as taxas menores por conta das medidas que vamos tomar. Depois que
tomarmos essas medidas ao longo do tempo isso vai se generalizar.
ABr: A taxa cobrada pelo governo, a Selic, também é alta.
Embora ela seja hoje a menor da história, ainda é alta. E a taxa real
(considerando a inflação) também é alta. Há quem também cobre do governo mais
velocidade na redução, como o setor produtivo quer. Mantega: O governo teve que
empreender uma luta dura contra a inflação. Nós sabemos que a inflação
prejudica principalmente o cidadão brasileiro, que ganha o salário. Vencemos a
batalha contra a inflação. Foram quatro anos de luta em que a inflação estava
em 12% ao ano e hoje está em 4%. A batalha está ganha e em função disso a Selic
está sendo reduzida. Ela caiu nos últimos 12 meses, cinco pontos percentuais.
Estava em 19% e hoje esta em 14,75%. E ela deverá continuar caindo porque a
inflação está sob controle. Concordo que estamos com a taxa alta, porém é a
menor nominal (sem considerar a inflação) de todos os tempos e ela vai
continuar. Prometo que nos próximos quatro anos teremos a menor taxa de todos
os tempos. De modo que o juro real vai chegar aos 4% ou 5%.
|
|