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Brasília -
Nos próximos dias, o governo
deve anunciar medidas com o objetivo de estimular a economia. O brasileiro
poderá comprar a casa própria com os recursos do empréstimo consignado e também transferir
dinheiro da sua conta-salário sem custos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
detalhou essas medidas com exclusividade para a Radiobrás.
As facilidades anunciadas para o trabalhador no seu relacionamento
bancário aumentam a liberdade do cidadão para movimentar sua conta, já que está
prevista a eliminação de custos. Para o ministro, “é escolha do cidadão trabalhar
com o banco que deseja”. Mantega também falou
sobre crescimento econômico, que ele estima em 4,5% este ano, carga tributária.
Leia a seguir a primeira parte da entrevista.
Agência Brasil: O governo prepara uma série de medidas com o
objetivo de dar mais dinamismos à economia brasileira: construção civil,
eletrônicos, juros bancários. O que vem por aí? Guido Mantega: Para começar, na construção civil vamos dar mais um
impulso num setor da economia que está indo muito bem. A construção civil ficou
parada durante mais de dez anos e agora retoma uma expansão que é muito
importante porque possibilita que o cidadão brasileiro possa realizar o sonho
da casa própria. Em 2006, estamos com R$ 20 bilhões para financiamento da casa
própria. Vários cidadãos estão conseguindo este financiamento. O cidadão
hoje pode comprar material de construção mais baixo e conseguindo dinheiro para
fazer a tão sonhada compra da casa própria. ABr: Mas o que há de novidade? Fala-se em crédito
consignado... Mantega: Vamos reforçar aquelas medidas que já foram
anunciadas há pouco tempo. Com o crédito consignado, o cidadão que tem o
emprego formal, tem o seu salário vai empenhar até 30% do seu salário para
pagar a prestação da casa própria. E o banco vai ter uma garantia maior. Então,
ele não só vai liberar mais facilmente este financiamento como também vai
proporcionar uma taxa de juros mais baixa. Vamos criar um mecanismo para que a
prestação seja fixa, porque o brasileiro quer saber quanto ele vai pagar.
ABr: O governo vai eliminar a Taxa de Referência (TR)? Mantega: Hoje é TR mais taxa de juros. Vamos eliminar TR e
vai ficar só a taxa de juros fixa, predeterminada. Você vai poder saber com
antecedência quais são as prestações que vai pagar.
ABr: Quem exatamente vai ser beneficiado? Qualquer
trabalhador? Mantega: Existem programas
que vão desde o segmento de baixa renda, de um a cinco salários mínimos, como o
PSH, subsidiado pelo governo. Hoje, temos mais de R$ 1 bilhão nesse programa até
para a classe média baixa, classe média-média. Aí vai de cinco salários e não
tem limites. Vai beneficiar a maioria da população brasileira.
ABr: O senhor fala em realizar o sonho da casa própria,
mas com essas medidas da construção civil o senhor está atingindo também um
outro objetivo que é a geração de emprego, não é? Mantega: A importância da construção civil é que ela é uma das
maiores empregadoras que temos no Brasil. Ela está crescendo a 7% ao ano. Está
gerando muito emprego direto e indireto. Construção civil não é só concreto e ferro.
É também setor de móveis, é também esquadrias de alumínio, encanador,
eletricista. Isso tem um efeito multiplicador importante. No mês de julho
produzimos 154 mil empregos formais, com carteira assinada. Foi o segundo maior
numero para meses de julho desde 1992. Isso que é importante. Você precisa ter
um crescimento em setores que além de crescer, gere empregos. Você cria um
círculo virtuoso em que o emprego vai se promovendo cada vez mais.
ABr: Outra medida a ser anunciada é aquela que traz
incentivos para a implantação da indústria de semicondutores no país. O governo
vai permitir que as fábricas se implantem sem pagar impostos? Mantega: O Brasil está muito atrasado nesse setor. Com a
implantação da TV digital, haverá uma demanda grande para esse setor. Todas as
televisões vão ter uma caixa de conversão do sinal analógico para digital. Esta
caixinha vai ter semicondutores. Além disso, os semicondutores estão hoje
presentes em todos os produtos praticamente. Você coloca chips até na orelha do
gado para registrar o “currículo” daquele boi. Isso está faltando na indústria
eletrônica brasileira. Com essas medidas, vamos poder implantar essa indústria
no país.
ABr: O governo vai suspender a totalidade dos impostos,
conforme é a expectativa dos empresários? Mantega: Praticamente a totalidade. Precisamos criar uma
indústria que possa competir com os paises asiáticos, principalmente, que se
implantaram antes. Temos que criar condições para que a indústria tenha custos
baixos. Ela não pode pagar tributos. É praticamente uma redução total. O
empresário vai pagar apenas impostos indiretos, como folha de pagamento. Mas os
impostos diretos serão eliminados.
ABr: E como serão os incentivos financeiros. Quanto o
BNDES pretende investir? Mantega: O BNDES não tem limites
de recursos para o setor. Todo empresário que precisar, vai ao BNDES.
Preenchendo as condições, vai conseguir o empréstimo para conseguir criar a sua
fábrica. E a taxas das mais baixas do país. A Taxa de Juros de Longo Prazo
(TJLP) está hoje em 7,5% ao ano. Com mais um adicional para cobrir os custos, a
taxa chega a no máximo 10% ao ano. É uma taxa convidativa.
ABr: O governo pretende com isso alcançar a mesma
performance dos incentivos à indústria automobilística nos anos 50? Dá para o
Brasil fazer essa revolução agora ou está muito tarde? Mantega: Não estamos
atrasados. O Brasil tem uma economia competitiva. Temos uma boa infra-estrutura
e uma mão-de-obra bem qualificada. Com essas medidas, acho que o setor vai ser
competitivo e se viabilizar no Brasil. Vamos recuperar o tempo perdido. Tem
mesmo quase o impacto da política que se fez para a indústria automobilística
no passado.
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