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Brasília - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, afirmou hoje (24) que está na hora de o Brasil olhar para a frente e assumir compromisso com o crescimento, saindo dos alicerces, porque esses já estão sólidos. Furlan fez a afirmação ao participar da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto.
Na reunião, a segunda realizada este ano pelo conselho, o ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, distribuiu documento com 24 metas a serem alcançadas nos próximos 16 anos. Uma das metas é o crescimento mínimo de 6% ao ano, até 2022, com inflação anual em torno de 3% e redução acelerada das desigualdades de renda e regionais.
Ao instalar a reunião, o ministro destacou que o documento não é uma produção de governo, mas sim "uma colaboração do conselho para o Estado", a exemplo de sugestões anteriores, que surgiram em discussões do CDES e resultaram em matérias aprovadas no Congresso Nacional. Tarso Genro citou o crédito consignado em salário, uma sugestão do então conselheiro e atual ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
Tarso Genro destacou o fato de o CDES ser pluripartidário e refletir "os anseios da sociedade", porque representa as diferentes opções político-partidárias. O ministro lembrou, inclusive, que foi a partir de um colegiado semelhante que nasceu o Pacto de Moncloa, na Espanha, que recolocou o país no rumo do desenvolvimento, com os seus participantes trabalhando "acima das divergências ideológicas".
Entre as metas citadas hoje pelo ministro, destaca-se a educação, considerada "estratégica para um novo modelo de desenvolvimento", com vistas a universalizar a alfabetização e ampliar o ensino básico e a educação profissional. Afinal, enfatizou o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, "sem melhoria da qualidade do ensino fundamental e superior, não há como garantir avanços sociais e econômicos".
O documento distribuído por Tarso Genro também cita a necessidade de aperfeiçoamento do atendimento do Estado à saúde, valorização do salário mínimo a um patamar pelo menos 150% a mais que o atual, a necessidade de criação de instrumentos de política industrial e tecnológica para desenvolvimento regional e redistribuição de renda, além de política tributária que reduza os níveis atuais da carga fiscal.
O empresário Paulo Velinho, representante da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), entretanto, disse que "16 anos é um horizonte muito longo, e o Brasil precisa crescer mais rápido". Segundo ele, os conselheiros têm o dever de funcionar como agentes de mudanças para um país melhor.
O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, ressaltou que "onde há crescimento, os demais fatores de desenvolvimento se sucedem". Segundo ele, cabe ao governo e à sociedade identificar os gargalos inibidores do melhoramento social e lutar contra barreiras como a burocracia, a ineficiência e as própria pobreza.
O empresário Jorge Gerdau Johanpeter, do ramo siderúrgico, destacou a necessidade de incentivos para o aumento da poupança interna, a exemplo do que ocorre em países desenvolvidos. Ele citou dados do Banco Mundial (BIRD) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), segundo os quais, "com poupança abaixo de 20% ninguém consegue crescer mais de 2,5% ao ano".
Johanpeter afirmou, contudo, que as metas estipuladas pelo CDES podem ser uma colaboração para os futuros governos; ganhe quem ganhar; e devem ter continuidade, porque perseguem objetivos e detectam dificuldades que podem ser sanadas ao longo do tempo, até porque o documento identifica um processo em evolução, no qual não está nada acabado. Segundo o empresário, "não adianta apontar de quem é a culpa por isso ou aquilo. A responsabilidade é global".
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