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Brasília - Os documentos em nome da empresa Aracruz Celulose não são garantia de
propriedade das terras originalmente ocupadas por indígenas no Espírito
Santo, afirma Vilmar de Oliveira, presidente da Associação
Indígena Tupiniquim Guarani. “Pessoas que criam um documento de uma
terra, a partir daquele momento passam a ser donos”, disse à Agência
Brasil. “No caso das pessoas que ali viviam, que não têm um documento
assegurado, os direitos não são vistos com bons olhos”.
Por
outro lado, segundo Vilmar Oliveira, os índios não tinham a preocupação
de buscar formas de oficializar a ocupação das terras. “Por sermos
indígenas, não tínhamos preocupação e não tínhamos documento da época.
Então ela [a empresa] veio, se instalou, criou documentação de
cartório”, diz. “Às vezes acontecia naquela época, segundo testemunhos
dos mais velhos, que ela buscava famílias para colocar, a princípio,
esses títulos no nome daquelas famílias e em seguida passava para o
nome dela. Isso feito em cartório”, completa.
A empresa Aracruz
Celulose diz ser dona de 11 mil hectares de uma área de 18 mil hectares
originalmente ocupadas pelos guaranis e tupiniquins, segundo a Fundação
Nacional do Índio (Funai). A área, no município de Aracruz, é motivo de
disputa entre 2 mil indígenas e a maior empresa de celulose de
eucalipto, Aracruz, responsável por um terço da produção mundial. O
parecer prévio da Funai reafirma que a área pertence aos povos
Tupiniquim e Guarani.
As terras reivindicadas pelos índios ficam
no município de Aracruz, a cerca de 150 quilômetros de Vitória. No
município, localizam-se quatro aldeias tupiniquins e três guaranis.
Segundo Oliveira, essas comunidades vivem numa área de cerca de 7 mil
hectares, que já foram contemplados em decretos de homologação
assinados pelo então ministro da Justiça Íris Rezende.
Um
parecer da Procuradoria-Geral da Funai reafirma que não apenas essa
área, mas os outros 11 mil hectares, num total de 18 mil hectares,
pertencem aos tupiniquins e aos guaranis. A empresa contesta o
documento. Segundo o procurador-geral do órgão, Luiz Fernando Villares,
uma das alegações da Aracruz é que as terras não eram de ocupação
tradicional dos povos.
De acordo com o presidente da
Associação Indígena Tupiniquim Guarani, a empresa chegou à região na
década de 60, para começar a plantar eucalipto, e os índios acabaram
tendo que deixar as terras. “Como havia um grande desmatamento, os
indígenas da época tiravam seus sustento da mata, dos rios, acabava
sendo inviável os indígenas ficarem naquela região. Então, eles foram
se afastando das áreas que estavam sendo devastadas”, conta a liderança
indígena.
A liderança afirma que as comunidades indígenas
estão preocupadas com a demora para solucionar o impasse. “A gente
abriu mão dos encaminhamentos que estavam sendo feitos de demarcação,
de construção das aldeias, e a gente interrompeu essas atividades pelo
fato de a Funai e o Ministério da Justiça terem se comprometido com as
comunidades de fazer esses processos e de até antes da eleição sair a
homologação dessas terras. A gente está aguardado e estamos vendo que
os prazos estão vencendo”, diz Oliveira.
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