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São Paulo - A secretária de Inspeção do Trabalho, do Ministério do
Trabalho e Emprego, Ruth Beatriz Vilela, alertou hoje no seminário Hora Extra:
O Que a CUT Tem a Dizer Sobre Isto, promovido pela central trabalhista, que “o
trabalho extraordinário tem sido um meio de complementação da renda e que a
simples mudança da lei não seria suficiente”.
Ela defende a necessidade de se aprofundar a questão do
trabalho extraordinário no país e que a recuperação do valor do salário não
pode ser dissociada da discussão em torno da redução da hora extra.
A CUT promove uma campanha pela redução da jornada de trabalho de 44 horas para
40 horas semanais. “Não basta reduzir a jornada, é preciso limitar a adoção
desse mecanismo da hora extra”, argumenta o presidente da CUT, Artur Henrique.
Ele adverte que “muitos patrões usam esse recurso para burlar a legislação em
relação à jornada máxima”.
Ele denunciou que o trabalho extra está sendo incorporado (ao dia a dia) de tal
forma que passou a ser quase uma jornada integral.
De acordo com a proposta da CUT de redução da carga horária,
a média registrada hoje de 50 horas extras por mês seria reduzida a 30 horas e,
no semestre, a um máximo de 110 horas.
Para Artur Henrique, além dos benefícios de melhor qualidade
de vida e maior proteção à saúde do trabalhador, essa redução da jornada
possibilitaria que fossem criados no país entre 2 a 3 milhões de novos postos
de trabalho no país.
O presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra),
José Nilton Pandelot, disse que “o regime de horas extras tem sido desvirtuado
pelos empresários e precisa uma melhor regulamentação e com um trabalho mais
rigoroso na ação de coibir essa ação”.
Com base em pesquisa realizada pela CUT junto a 3 mil trabalhadores, a
economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese), Patrícia Pelatieri, informou que quando há
crescimento da economia, mais da metade dos trabalhadores são submetidos,
rotineiramente, à hora extra, e mais de 70% deles acabam sofrendo algum tipo de
distúrbio físico ou psicológico.
“São casos de depressão, insônia. Mais da metade (dos
trabalhadores) faz hora extra por necessidade essencial de complementar a renda
e mais de 20% por assumir um compromisso com a empresa”, disse.
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