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Rio de Janeiro - Uma série de atividades de conscientização da população sobre os prejuízos
causados pelo consumo de tabaco marcou a passagem do Dia Nacional de
Combate ao Fumo, hoje (29), na região metropolitana do Rio de Janeiro.
Em entrevista à
Rádio Nacional do Rio, o diretor do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz
Antônio
Santini, destacou a importância das campanhas de conscientização da
sociedade, às quais atribuiu a redução da incidência do fumo entre os
jovens. "No
Brasil, por conta dos anos seguidos em que se desenvolve essa campanha,
e
também das ações nas realizadas nas escolas, já obtivemos resultados
importantes. Há uma redução no número de fumantes entre adolescentes: a
prevalência caiu de 32% para 19% nas capitais brasileiras", informou
Santini.
Ele disse que o
consumo do tabaco cresceu entre a população feminina, com sua inserção no
mercado de trabalho, e trouxe como conseqüência o aumento do número de mortes
por câncer de pulmão em mulheres. Segundo Santini, ao entrar no mercado de trabalho, as
mulheres passaram a adotar comportamentos antes característicos do universo masculino,
entre eles hábitos sociais, como o fumo, e outros elementos ligados ao câncer,
como o estilo de vida marcado pelo sedentarismo e pela alimentação inadequada.
"Tudo isso está propiciando um aumento de casos de câncer por causa dessa
mudança no comportamento", avaliou.
De acordo com o Inca, entre 1979 e
1998, a taxa de mortalidade por câncer de pulmão no Brasil cresceu 108% entre a
população feminina, enquanto na população masculina o avanço foi de 56%.
O diretor do
Inca ressaltou que os prejuízos do fumo também atingem as mulheres, aumentando
as chances de contrair de câncer de mama e de colo de útero. "As pessoas
costumam associar o tabagismo somente ao câncer de pulmão ou de esôfago, mas já
está demonstrado que a incidência tanto de câncer de mama quanto de colo de
útero é maior em mulheres que fumam", salientou.
Para Santini, o consumo e a exposição ao tabaco são
responsáveis pelo maior número de mortes em adultos no mundo. O tabagismo é
considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte
evitável em todo o mundo.
A estimativa da
Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) é que, no Brasil, cerca de 200 mil
mortes por ano sejam decorrentes do tabagismo. Os dados são de 2002.
Na capital, técnicos
da
Secretaria Especial de Prevenção à Dependência Química distribuíram
material informativo, alertando sobre os perigos do uso do tabaco e de
outros tipos de drogas em locais de grande circulação de pessoas.
Em Duque de
Caxias, em um stand montado em uma uma praça no centro da cidade, os fumantes interessados podiam se inscrever para participar de programas
antitabagismo. Em Nova Iguaçu, as atividades concentraram-se em um shopping e serão realizadas até sexta-feira (1). A estimativa é que cerca de quatro mil pessoas participem das
atividades, que incluem a apresentação de peças de teatro e de medição da
capacidade pulmonar.
Além disso, a Associação do
Comércio Farmacêutico do Estado do Rio promoveu palestras com técnicos da
Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), em
várias farmácias da região metropolitana.
Segundo a assessoria de imprensa do Inca, o
instituto não está promovendo este ano
campanha especial para o Dia Nacional de Combate ao Fumo, por causa da lei
eleitoral, que proíbe campanhas publicitárias de órgãos do governo. No entanto,
as atividades diárias do instituto voltadas para a prevenção de vários tipos de
câncer associados ao tabagismo, como o de pulmão, de boca, de esôfago e de
estômago, continuam sendo realizadas normalmente.
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