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Rio de Janeiro - Quanto maior o nível de escolaridade, maior a diferença salarial entre
homens e mulheres. A constatação é do economista do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Antônio Marcos Ambrozio,
coordenador da publicação “Visão do Desenvolvimento” – um estudo do banco para
detalhar melhor os indicadores sociais do país.
Elaborado a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) e Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do
Trabalho, sobre rendimento e emprego nos últimos dez anos no país, a publicação
constatou que o salário médio real dos homens superou o feminino em todo os
anos, entre 1996 e 2005.
Os salários reais médios a preços de 2005 dos homens admitidos entre 1996 e
2005 foram de R$ 614, enquanto o das mulheres ficou em R$ 556.
Analisando o documento do ponto de vista do grau de escolaridade, o
rendimento médio tanto dos homens como das mulheres mostra-se crescente com o
avanço do nível de instrução, embora o salário médio real dos homens tenha
superado o das mulheres em todos os níveis de escolaridade considerados pelo
estudo.
O diferencial foi maior, no entanto, para os trabalhadores com nível de
escolaridade mais elevado: acima do ensino médio as mulheres auferiram em média
apenas 63% do salário real médio do dos homens, constata no estudo o economista
do BNDES.
Em contrapartida, é exatamente entre os trabalhadores com menor grau de
escolaridade que os vencimentos de homens e mulheres mais se aproximam: entre o
contingente de trabalhadores com instrução até a quarta série, o rendimento
médio real das mulheres equivaleu, em média, a 82% da remuneração dos homens.
Já entre os analfabetos, o rendimento médio real das mulheres foi em média
superior ao dos homens.
Com base nos dados da Rais de 2004, o estudo concluiu que, entre as
ocupações com remuneração média acima de R$ 3 mil, a participação feminina
estava “sub-representada”, com 26% do total das vagas.
O levantamento abrange dirigentes de empresas e organizações de quatro
categorias profissionais - que não de interesse público: pesquisadores,
profissionais de ciências exatas e de ciências jurídicas.
Para o economista do BNDES, no entanto, o acesso limitado a ocupações mais
bem remuneradas explica apenas “em parte” o diferencial de rendimento: nas
quatro ocupações consideradas no estudo, o salário médio feminino como
proporção do salário médio masculino variou de 42%, no caso de dirigentes, a
87% no dos profissionais de ciências jurídica.
“A conclusão a que se chega é que, além do fato de as mulheres terem acesso
limitado a cargos de chefia nas firmas, seus salários nesses postos são
inferiores aos dos homens”.
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