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Brasília - O Brasil precisa investir em capacitação profissional para
atender o crescimento da produção de biodiesel. A avaliação é do professor
Expedito Parente, pioneiro das pesquisas sobre o biocombustível. “Vai ter uma
demanda muito grande de treinamento para essa gente, porque se espera que haja
centenas de usinas de biodiesel no Brasil. Então, são milhares de técnicos
especializados que necessitarão de ser capacitados”, disse.
Parente foi homenageado hoje (30) no 1º Encontro Nacional de Biocombustível,
promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A cerimônia teve a
participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O pesquisador defendeu o cultivo das oleaginosas usados na produção do
biodiesel, como soja, girassol e mamona, nas áreas degradadas da Amazônia.
“Existem cerca de 80 milhões de hectares de terras desflorestadas na Amazônia
que estão em degradação. Essas terras necessitam ser reflorestadas. E esse
reflorestamento pode ser um reflorestamento energético”, defendeu.
Um aspecto importante para a consolidação do projeto do biodiesel, na avaliação
do presidente da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, é garantir a escala
industrial da produção. “Não há mais dúvidas das transformações que ocorrerão
nas próximas décadas com o declínio na produção de petróleo. O apelo para
redução de poluentes e preservação do meio ambiente resultou em um cenário
favorável aos chamados combustíveis verdes, como o biodiesel", ressaltou.
O coordenador do Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas (Ladetel),
da Universidade de São Paulo (USP), Miguel Dabdoub, defendeu a necessidade de
se ampliar a integração entre a indústria e o meio acadêmico para garantir que
o país continue na liderança em relação ao biodiesel.
Segundo o pesquisador, existe um preconceito recíproco entre indústria e
universidade que aos poucos tem sido superado. “Filosoficamente, a universidade
quer manter distância da indústria. Ao mesmo tempo a indústria mantém uma
grande distância da universidade, achando que lá simplesmente os pesquisadores
estão distantes [da realidade], que estão num castelo intocável”, criticou. “Como
o biodiesel é uma tendência mundial e o Brasil se encontra como foco da
observação internacional na produção de biocombustíveis, essa interação tem se
facilitado”, disse.
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