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Brasília - O diretor de Políticas e Projetos da Secretaria Nacional de
Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça, Robson Rubin da Silva,
alertou hoje (01) que “colocar um policial sem a devida qualificação dentro de
um carro de última geração não é estratégia de segurança pública, não é
estratégia de construção de cidadania”.
Ao participar de debate sobre direitos humanos na formação
dos profissionais das polícias e da Justiça, Rubin disse que a tecnologia ajuda
a solucionar os crimes e conflitos, mas ressaltou que o essencial é a formação
humana que um policial deve receber.
“Hoje temos excelentes viaturas, excelentes sistemas de
computação e policiais vacilantes em valores, ações, em capacidade de mediar
conflito, de atender uma mulher vítima de violência”, afirmou.
O diretor da Senasp disse que a formação dos policias
normalmente conta com aulas de direitos humanos, mas têm poucas horas e estão
descoladas das outras disciplinas. “O ideal é que nas instruções de tiro, por
exemplo, o professor não ensine apenas o manuseio, a desmontagem da arma. Deve
ser discutido como é tirar a vida de alguém, o que é lesionar, o que isso
representa e o que leva aquele ser humano a cometer um delito”, defendeu.
O professor Julio Alejandro, da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul, também fez críticas a atuação da polícia,
afirmando que historicamente “o papel da polícia nunca foi direcionado para a
garantia dos direitos humanos”. E sugeriu que a formação dos policias
privilegie a integração com comunidade, movimentos sociais e mudanças sociais
que melhorem a vida das pessoas.
O debate fez parte do I Congresso Interamericano de Educação
em Direitos Humanos, que começou nesta quarta-feira e termina amanhã (2). O
evento reúne representantes de órgãos públicos, especialistas de diversas áreas
do Brasil e de outros países, como Noruega e Costa Rica.
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