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Brasília - O toque do atabaque, do pandeiro, a viola e a dança com o
deslizar para frente e para trás dos pés colados no chão. È assim o Samba de Roda,
que tem forte presença no Recôncavo Baiano. Como o nome já diz, o samba é
dançado no meio de uma roda formada pelos participantes que cantam e tocam.
As modalidades mais comuns são o samba-corrido e o samba-chula, nome atribuído
às estrofes que constituem a letra do samba. No primeiro, a dança, o canto e os
toques ocorrem ao mesmo tempo e várias pessoas podem sambar no meio da roda. Na
chula, se dança apenas quando termina o canto e o samba é individual.
Mais que uma dança, o ritmo envolve cultura e crença religiosa. “É festa e
também é religião. Tem a parte profana e a parte religiosa. Se você vai
participar de uma festa em uma noite de São Roque, tem o horário da reza e
depois a parte profana, que é festejada com o samba”, explica o coordenador do
grupo Samba Chula, de São Brás (Bahia), Fernando de Santana.
Para Maria Luiza, sambadeira há dois anos, “o samba significa a cultura baiana,
e é um meio muito bom de se distrair”.
Rosimeire da Purificação, que dança há dez anos, afirma que
não pensa em parar. “O samba está associado à capoeira, candomblé. Acho muito
bom e não quero parar”.
A dança no Samba de Roda é feita principalmente da cintura para baixo com um
deslizar para frente e para trás dos pés colados ao chão e a correspondente
movimentação dos quadris. Embora todos possam sambar, as mulheres predominam na
dança e os homens no toque de instrumentos.
“Tem que gostar, senão fica difícil. Vê como é, uma pessoa que não sabe nem
assinar seu nome tira vários versos. Coisa de dom, que Deus deu”, diz Fernando
Santana.
Não há datas específicas para se dançar o Samba de Roda, mas existem ocasiões
típicas que costumam se integrar às celebrações de alguns santos católicos
como, por exemplo, São Cosme e Damião e São Roque.
O mais importante instrumento de acompanhamento do Samba e Roda é a viola
machete, construção artesanal de origem portuguesa. Hoje o machete é uma
raridade e seu substituto mais comum, de fabricação industrial, é a chamada
viola paulista.
Historiadores da música popular consideram o Samba de Roda uma das fontes do
samba carioca, isso porque a narrativa de origem do samba carioca remete à
migração de negros baianos para o Rio de Janeiro, ao final do século 19.
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