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Brasília - Dezenove anos após deixar o emprego numa fábrica de mísseis no
município de Jacareí (SP), o paulista Silvane Dias Barrios recebeu a
notícia de que tinha um tipo de câncer conhecido como mesotelioma. A
doença afeta a pleura, membrana que envolve o pulmão. Ao receber o
diagnóstico, no ano passado, ele soube que o câncer era conseqüência
dos quatro anos e meio de trabalho na fábrica, período em que ficou
exposto ao amianto.
“Agora tenho fé, procuro viver o hoje, sem
pensar no amanhã. Mas quando recebi a notícia, perdi o chão, minha
esposa estava grávida de seis meses, meu filho tinha cinco anos, foi
como receber um atestado de óbito”.
O amianto é considerado
uma substância cancerígena pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e
pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Desde 1995, o uso do
amianto é proibido no Brasil. Mas a variedade conhecida como crisotila
foi permitida a partir de 1997, em função das propriedades como a alta
resistência da fibra ao calor.
Na opinião de Barrios, a
proibição deveria ser total. “Isso deveria ser uma prioridade. Só quem
está passando por essa contaminação, quem está sofrendo, não só eu, mas
toda minha família, sabe o que é a causa do amianto”, diz.
Para
ele, as próprias empresas deveriam tomar a iniciativa e deixar de
usar o produto. “Na época em que eu trabalhava na fábrica, a gente
sabia que existia o perigo, mas não sabia qual era a proporção. Mas
eles (os donos das empresas) devem saber como é a real situação do
amianto”.
Pela gravidade do caso do trabalhador, os médicos não
indicaram tratamento com quimioterapia e sugeriram uma cirurgia para retirada do pulmão e colocação de uma prótese. “Se fizesse esse tratamento, a chance de eu morrer era
alta e, se desse certo, o tempo de sobrevida era pouco, um ano e meio”.
Em
julho do ano passado, o paulista optou por fazer um tratamento
alternativo, à base de plantas e de argila, mesmo com a estimativa dos
médicos de que teria no máximo mais três meses de vida. “Todos os dias
fico enterrado no barro durante três horas”, diz.
Este mês,
Barrios deve se submeter a outra série de exames. “Em julho, fiz uma
chapa e o médico disse: o senhor é muito corajoso’. Eu disse para ele
que corajoso não sou, mas sou iluminado, com certeza”.
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