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Brasília - O estado do Rio Grande do Norte já está trabalhando o tema direitos
humanos nas escolas. Esta é uma das diretrizes do Plano Nacional de
Educação em Direitos Humanos (PNEDH), concluído hoje após dois anos de
discussão. A Secretaria de Educação de Natal fez uma parceria com
Ministério Público, que “produziu textos trabalhados hoje nas escolas”,
conta a secretária e vice-presidente da União dos Diretores Municipais
de Educação, Justina Iva. A secretária foi uma das participantes
do Congresso Interamericano de Educação, que discutiu o tema durante
quatro dias em Brasília, onde foi apresentado e concluído o PNEDH.
Segundo o plano, o Brasil só avançará no cumprimento dos direitos, se
eles fizerem parte da educação. É preciso incluí-lo “porque essa
mudança tem que ser a partir da infância, eu diria que é uma revolução
cultural”, afirma a secretária. No entanto, para fazer
parte do ensino, é necessário antes avançar na formação dos
professores. “Eles não fazem essa discussão nas universidades e
instituições formadoras, em conseqüência, também não trabalham esses
temas de uma forma mais profunda com os seus alunos”., acrescentou
Justina Iva.
Liberdade, solidariedade e democracia são valores que os educadores
querem discutir em sala de aula. “Há mais de quinze anos, iniciamos um
processo que chamo de perversão dos valores ético-morais”, lamenta. “É
preciso resgatá-los porque a sociedade sem eles tende a banalizar a
desigualdade, as injustiças e a corrupção. Achar tudo isso normal é
muito perigoso”, avalia.
A secretária ressalta que “os professores têm o privilégio de
receber, por quatro horas ou mais, uma criança que está em processo de
formação, a fase mais promissora para assimilação de conceitos e
valores”. Para melhor formação dos professores, segundo
ela, é preciso que a Secretaria Especial dos Direitos Humanos articule
com as universidades “uma grande discussão para trabalhar a necessidade
de inclusão dessas temáticas nos currículos e propostas pedagógicas.
Isso não faz parte hoje da universidade”. Justina Ivana afirma
que muitos professores se preocupam apenas com o seu conteúdo, com
exceção daqueles que são ligados a algum movimento social ou religião.
“São mal remunerados e têm uma carga horária intensa, até de forma
incorreta trabalham de manhã, tarde e noite em mais de um local e,
assim, estão limitados ao conteúdo da sua disciplina”. A
corrupção também piora o problema, já que a população passa a “não ter
esperanças nem parâmetros. Tudo é possível, tudo é normal, essa
banalização é terrível”. Por isso, segundo ela, a necessidade de
retomada dos valores “das questões coletivas, a responsabilidade com a
coisa pública, na construção do político ou do gestor, porque não dá
pra falar de valores sem que eu cumpra os meus deveres, não só os
interesses individuais”.
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