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Rio de Janeiro - O presidente da
Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), professor Frederic Litto, afirmou hoje (4) que a legislação brasileira precisa ser atualizada para que a educação a distância possa superar problemas e avançar no país.
Segundo o professor, a
legislação avançou bastante em relação a dois ou dez anos atrás, mas precisa ser
atualizada, principalmente no que diz respeito à territorialidade e à exigência de exames
presenciais no final dos cursos a distância.
Atualmente, o estado onde o aluno reside precisa aprovar o curso
que já foi aprovado no estado onde está localizada a instituição de origem. Se
essa instituição quiser oferecer o curso em todo o país, o processo tem que se
repetir em cada estado. “As barreiras políticas e geográficas entre estados têm
que desaparecer quando se trata de educação a distância. A internet e a
radiodifusão não conhecem limites políticos”, argumentou.
Litto também questionou a exigência do exame presencial no fim
do curso, que, segundo ele, muitas vezes torna inviável o ensino a distância. “Fica muito
difícil, por exemplo, para um aluno que mora no estado do Pará ou Amazonas, que
está fazendo curso a distância na Universidade Federal de Santa Maria, ir para o
Rio Grande do Sul fazer o exame presencial. “Se todo o curso é feito a
distância, por que não o exame também?. Se a idéia é facilitar a vida do aluno
que mora num lugar bem longe das capitais, porque obrigá-lo a gastar uma pequena
fortuna para se locomover?”, questionou o presidente da Abed.
O professor Litto sugeriu que a avaliação fosse feita por meio de monografias,
pelo envio de portfólios dos alunos e pela sua participação ativa durante o
curso.
Quanto às barreiras legais, Litto destacou que, só no
final do ano passado, o Brasil passou a reconhecer diplomas de cursos a distância
obtidos em universidades do exterior. “Temos 800 anos desde que as primeiras
universidades surgiram na Europa medieval e reconhecem diplomas de outras
universidades na base de reciprocidade”.
Ele também falou sobre os desafios da Educação a
Distância. Para ele, é necessário aumentar o uso do rádio e da TV para a
educação em todos os níveis: fundamental, médio, superior e educação continuada
de adultos. “Embora a internet seja importante, por causa da interatividade que
proporciona, quando nós reconhecemos que a televisão e rádio chegam a quase a
todas as casas, nós vamos usar televisão e rádio a curto prazo para graduar mais
alunos a em todos os níveis, o que é muito importante para termos um povo mais
educado e qualificado, afirmou.
Frederic Litto lembrou que o Brasil era um dos líderes mundiais na educação
a distância na década de 70, com programas como o Telecurso e os projetos Minerva e Saci, mas considerou que houve relaxamento, falta de investimentos e o
desuso da educação a distância. Segundo ele, agora é necessário formar uma nova geração de
profissionais capacitados na área.
As fronteiras da educação a distância em todo o mundo estão em
debate desde ontem (3), no Rio. O encontro, realizado a cada dois anos, reúne até
quarta-feira (6) cerca de 1.200 especialistas, pesquisadores e gestores de 79 países.
Além de acompanhar debates e palestras os integrantes da conferência participam
de sessões de estudos de caso, em que há troca de experiências de sucesso e também
de iniciativas mal sucedidas na busca pela qualidade na educação a distância.
O dia de hoje foi destinado a discussão da qualidade nos cursos,
especialmente sobre as melhores formas de avaliação do processo
ensino-aprendizagem a distância. Amanhã o foco do encontro serão os métodos e
práticas nas instituições e na quarta-feira as políticas públicas nacionais para
implementar a educação a distância.
Instituições brasileiras que desenvolvem iniciativas na área,
como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae),
Serviço Social da Indústria (Sesi) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(Senai) estão apresentando suas propostas e realizações na área de exposição da
conferência.
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