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4 de Setembro de 2006 - 11h20 - Última modificação em 4 de Setembro de 2006 - 11h21


Programas eleitorais ainda não são acessíveis a deficientes auditivos

Ricardo Carandina
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Este ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tornou obrigatória a utilização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) ou de legendas nos programas do horário eleitoral na televisão. Boa parte dos partidos cumpre a determinação, mas com falhas técnicas que dificultam ou até impossibilitam os eleitores com deficiência auditiva a acompanhar o debate político. 

De acordo com o diretor da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos de São Paulo, Neivaldo Augusto Zovico, as legendas são muito rápidas, as letras, pequenas, e, o texto, confunde-se com as imagens do programa. A reclamação foi registrada em carta enviada pela federação, no dia 16 de agosto, ao procurador regional eleitoral, Paulo Henrique Passos Santiago.

Para os deficientes auditivos, os quadros com os intérpretes da língua de sinais também são mal utilizados e uma série de regras para boa compreensão não estariam sendo cumpridas. “Muitos intérpretes não têm experiência, não são especializados ou não conhecem a cultura dos surdos, e acabam dizendo coisas que não significam nada para quem não ouve”, diz o instrutor de libras Falk Moreira.

O também instrutor de libras Francisco Silva reclama do não cumprimento de regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas. O órgão determina que a roupa do intérprete, a pele e o pano de fundo tenham cores contrastantes. O tamanho da janela deve mostrar com clareza a expressão do rosto e os braços do intérprete.

“Quando o fundo, a pele e a roupa do apresentador têm cores semelhantes, o expectador não consegue identificar com clareza os sinais. O mesmo problema é causado pelas janelas muito reduzidas ou que têm fundo transparente”, afirma Silva.

A determinação do TSE que obriga o uso de legendas está no artigo 58 da resolução 22.261, disponível para consulta na página do tribunal na internet.

 



 


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