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Rio de Janeiro - O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) da
Bahia vai implementar o primeiro curso de educação a distância para surdos no
país. A iniciativa foi apresentada como estudo de caso na 22º Conferência
Mundial de Educação Aberta e a Distância em andamento no Rio de Janeiro.
O projeto foi selecionado e aprovado em edital da
Financiadora Nacional de Projetos (Finepe) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq) lançado este ano para promover tecnologias que
assistam e melhorem a qualidade de vida de pessoas com necessidades especiais.
O curso-piloto, que será implementado em janeiro e fevereiro
de 2007, vai oferecer a 20 jovens com deficiência auditiva de Salvador
capacitação na área de informática.
De acordo com o Senai, a baixa escolaridade e a falta de
qualificação profissional são as principais dificuldades encontradas por surdos
no mercado de trabalho.
Segundo Ricardo Lima, gerente do Núcleo de Educação a
Distância do Senai-Bahia, “há uma grande demanda de profissionais na área
administrativa que utilizam largamente os conhecimentos de informática, e os
profissionais capacitados poderiam facilmente se integrar a esse mercado”.
A designer educacional do Núcleo, Maria das Graças Barreto,
explicou que todas as aulas serão apresentadas em vídeos em linguagem de libras,
que traduzem as explicações sobre os comandos dos programas de informática. O
programa vai permitir que os alunos façam a parte teórica do curso em suas
casas ou em locais onde seja disponibilizado o acesso ao computador, sem a
necessidade de um intérprete. Somente a parte prática exigirá a presença do
aluno em uma sede do Senai.
O curso foi desenvolvido para software livre e terá duração
de 150 horas. Além de serem introduzidos ao ambiente Linux, os alunos vão
aprender a utilizar os programas write (editor de texto), calc (planilha
eletrônica), impress (editor de apresentações).
Outros temas ligados ao mundo do trabalho também estarão em
foco nas discussões via internet para ampliar o universo cultural dos
deficientes auditivos.
Ricardo Lima destacou que além de contribuir para a
capacitação e inserção dos surdos no mercado de trabalho por meio do
curso-piloto, a importância do projeto está em desenvolver uma metodologia que
poderá ser utilizada em outros cursos e iniciativas. “Esse conhecimento
metodológico vai nos dar uma competência para desenvolver outras ações e até
trabalhos de apoio a instituições e escolas públicas no sentido de abranger o
espaço dessas pessoas que fazem parte da nossa sociedade e tem que ter a mesma
inserção que o ouvinte”, disse Lima.
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