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São Paulo - Moradores de favelas, militantes de partidos políticos,
religiosos, mulheres marginalizadas, representantes do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de outros movimentos sociais e
sindicais participaram hoje (7), na capital paulista, do Grito dos
Excluídos. A marcha foi encerrada com ato público em um palco montado
ao lado do Monumento da Independência, no Ipiranga, zona sul da cidade.
A Polícia Militar calculou em dois mil o número de
participantes, mas os organizadores estimaram entre 5 e 10 mil
manifestantes, no maior aglomerado do gênero, conforme declararam. Essa
foi a nona vez que o ato ocorreu na cidade de São Paulo. O Grito
começou com a celebração de missa, na Catedral da Sé, por volta das 7
horas. Depois de uma concentração na Praça da Sé, milhares de
manifestantes saíram, às 10 horas, em romaria a pé até o Parque da
Independência, distante cerca de 7 quilômetros. Em dois carros de som,
palavras de ordem em favor das causas sociais eram intercaladas por
canções, como a de Geraldo Vandré, "Pra Não Dizer que Não Falei das
Flores". Ao chegar ao parque, por volta das 12h15, os
manifestantes, agitando bandeiras e cartazes, espalharam-se entre as
escadarias do Monumento da Independência, o gramado dos jardins do
Museu do Ipiranga e a área calçada, diante do palco e carro de som
montados para o ato público. No meio do público, uma enorme faixa
exibia o lema da campanha da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e
marcava posição contra demissões na fábrica da Volkswagen, em São
Bernardo do Campo, no ABC paulista. “Nenhuma demissão na Volks” e
"Redução de Jornada Sem Redução Salarial” dizia a enorme faixa branca,
estendida diante do palco de manifestação. O padre Júlio
Lancelotti, da Pastoral de Rua, primeiro orador, destacou o assassinato
de sete moradores de rua em agosto de 2004, na região central de São
Paulo. Outras sete pessoas ficaram feridos no episódio, que ficou
conhecido como massacre dos moradores de rua. Inconformado com o fato
de tais crimes não terem ainda sido esclarecidos, o padre disse que
continuará lutando por justiça. “Vamos pressionar, porque é impossível
aceitar que esse crime fique impune”, afirmou. Lancelotti
criticou a prefeitura de São Paulo, acusando diretamente o prefeito
Gilberto Kassab de perseguir moradores de rua, além de catadores de
papel. “Continua o massacre dos mais indefesos. Até o cobertor que eles
têm para não morrer de frio, a prefeitura está tirando deles”, afirmou.
A assessoria de imprensa da prefeitura contestou o padre,
dizendo que, diferentemente do que disse Lancelotti, continua o
trabalho permanente de recolhimento de mendigos por 62 agentes
municipais, que os levam os moradores para albergues. A grande
dificuldade, segundo a assessoria, é que nem todos concordam em sair da
condição em que estão. O coordenador da Pastoral Operária da
região metropolitana de São Paulo, Paulo Pedrini, considerou “muito
positivo” o movimento do Grito dos Excluídos deste ano. Para ele,
atingiu-se o objetivo de exaltar a luta pela dignidade humana. “Demos
um grito contra a falta de moradia, a falta de saúde e de educação; por
serviços púbicos de qualidade e ausência de reforma agrária urbana”.
Segundo ele, a expectativa é viver em um país sem exclusão: "Quiçá,
possamos chegar a um dia onde o Grito dos Excluídos não seja mais
necessário”.
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