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8 de Setembro de 2006 - 17h45 - Última modificação em 8 de Setembro de 2006 - 17h45


Ministério estuda aumento da participação do carvão mineral na matriz energética

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - O Ministério da Ciência e Tecnologia pretende investir cerca de R$ 3,5 milhões em pesquisas no setor de carvão mineral, cuja atividade foi reduzida desde a década de 80. Um comitê gestor foi criado para impulsionar o projeto, cuja etapa inicial é a de consolidação dos laboratórios existentes na área.

O objetivo, segundo o engenheiro Antonio Campos, especialista em tratamento de minério e carvão, e representante do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) no comitê, é ampliar a participação do produto na matriz energética, dos atuais 2% para 5% até 2015.

Essa retomada, explicou, se deve à alta do petróleo no mercado internacional e, também, aos problemas com o fornecimento do gás boliviano. Com isso, acrescentou, o governo está prevenindo um eventual "apagão" e também "preparando a independência do gás da Bolívia e do petróleo, por exemplo".

Como a pesquisa nessa área ficou paralisada por muito tempo, os laboratórios terão que ser atualizados e modernizados. A maioria deles está instalada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, detentores das maiores reservas de carvão mineral e do maior nível de produção no país, respectivamente. As reservas em toda a região Sul somam cerca de 31 bilhões de toneladas que estão, de acordo  com o Cetem, intocadas há pelo menos 20 anos.

Campos explicou que com o fim do Programa de Mobilização Energética, na década de 80, as pesquisas de carvão mineral sofreram redução “porque não havia demanda”. E lembrou que "no governo Collor, o  mercado desse carvão foi aberto para o mundo. Então, as siderúrgicas já não queriam mais saber do carvão brasileiro, cuja qualidade era pior que a do carvão importado. Por problemas de transporte, ele chegava mais caro que os concorrentes. E, com a abertura, acabou o mercado de carvão metalúrgico”.

 O Brasil acabou ficando apenas com o carvão energético ou mineral, cuja produção era destinada às usinas termelétricas, cimenteiras e à indústria de papel e celulose, entre outros usos. “Por isso é que se fala da retomada do carvão, porque o carvão metalúrgico acabou e ficou só o carvão energético”, destacou o especialista.

Os equipamentos que serão adquiridos para os laboratórios e as indústrias terão de adotar a chamada tecnologia limpa, não poluidora. Segundo Campos, o projeto prevê ainda cooperação técnica internacional e treinamento de pessoal – o Cetem dará cursos em gestão ambiental, softwares e usinas de beneficiamento de carvão, participando ainda de pesquisas não-convencionais.

 A produção atual de carvão energético do Brasil é de cerca de 5 milhões de toneladas/ano e a primeira etapa do projeto deverá se estender até o próximo ano.



 


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