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Rio de Janeiro - A pesquisadora Jane Paiva, professora da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e membro do Fórum de Educação de Jovens e
Adultos do Rio, prevê dificuldades para se erradicar o analfabetismo no país até
2010. Segundo ela, o Ministério da Educação (MEC) trabalha com a meta apenas
porque esta é uma determinação do Plano Nacional de Educação.
A professora acredita que o próprio plano, elaborado em
2001, possui muitas metas que não são possíveis de executar plenamente. “O
Plano Nacional de Educação é um grande plano de intenções. De onde sai o
dinheiro para cumprir cada uma das metas, naqueles prazos? Nunca foi dito”, questiona
Jane.
De acordo com a especialista, a maior dificuldade não é
alfabetizar o jovem e o adulto, mas garantir que ele continue tendo a
capacidade de ler e escrever mesmo depois do processo de alfabetização. Isso,
segundo ela, só é possível mudando-se o contexto social em que vivem as
pessoas, através, por exemplo, da continuidade dos estudos e da oferta de
material de leitura.
“Não adianta você aprender a ler e a escrever e, depois, não
ter uso nenhum porque toda a cultura na sua comunidade prescinde do escrito. A
produção do analfabetismo não se dá simplesmente pelo não acesso à escola, mas
também pela negação de vários outros direitos. É preciso garantir que esse
sujeito não volte a sua condição, porque muitas vezes no local onde mora ele
não tem acesso a nenhum material de leitura”, disse.
Segundo Jane Paiva, a maioria dos analfabetos é formada por
pessoas mais idosas, muitas das quais já passaram por projetos de alfabetização
e por salas de aula de ensino fundamental. “É muito difícil você encontrar
alguém que nunca foi à escola, a não ser nas camadas de muito mais idade. Na
verdade, ele sabe que o que ele conhece sobre a língua escrita é insuficiente
para dar conta daquilo que é preciso saber”, disse Jane.
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