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Brasília - As características étnicas de comunidades quilombolas que convivem com
populações de origem italiana de nove cidades situadas no centro do Rio Grande
do Sul foram o tema do estudo apresentado pela professora Vanessa de Oliveira,
da Universidade Federal de Santa Maria (RS) no 29º Congresso Brasileiro de
Ciências da Comunicação (Intercom 2006), que termina hoje (9) na Universidade
de Brasília e no Minas Brasília Tênis Clube.
A professora estudou um grupo de negros que se concentraram em área de
aproximadamente 300 hectares, desde a metade do Século 19 e que “revelam um
apego muito forte à sua relação genealógica”. No entanto, segundo ela, sabe-se
apenas que são descendentes de escravos, pois eles próprios não explicam de
onde vieram, demonstrando um apego muito forte ao meio em que vivem, que dizem
, de maneira ufanista, ser a sua própria origem”.
O estudo apresentado pela professora gaúcha explora a diferenciação de duas
identidades étnicas singulares: negros e italianos, que convivem
harmonicamente. São 80 famílias de quilombolas, dedicados à plantação de
horti-frutigranjeiros ou que prestam serviços à comunidade italiana, como
trabalhadores rurais, enquanto as mulheres ganham dinheiro como empregadas
domésticas nas cidades.
A estudante Lílian Crepaldi de Oliveira, da Universidade de São Paulo (USP)
apresentou trabalho ao seu curso de Mestrado em Ciência da Comunicação
explorando as lutas do exército zapatista, no México e a campanha do Movimento
dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), no Brasil. Como fundo para o
"sentido mais visível" desses dois movimentos ela aborda as mensagens
de ordem cultural que ambos portam, as quais interpreta como “reforço da sua
própria identidade”.
O trabalho aborda também o poder da mídia que divulga esses grupos e o poder
da palavra, provinda desses movimentos. “A palavra, para esses grupos, é uma
arma muito forte. Eles acreditam que ela tem poder para promover transformações
sociais". São movimentos, de acordo com a estudante que “têm conotação
política, mas também marca cultural muito forte. Buscam na sua luta, de forma
essencial, se situar nas suas origens, se referenciando a uma mitologia
do passado para entender o presente e buscar modificações para o seu futuro”.
O encontro é realizado anualmente pela Sociedade Brasileira de Estudos
Interdisciplinares da Comunicação com o objetivo de permitir a troca de idéias
e difundir temas da área da comunicação e sua contribuição para a sociedade.
Participam pesquisadores brasileiros e estrangeiros, estudantes, professores,
pesquisadores e profissionais que trabalham na área da comunicação.
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