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Rio de Janeiro - O secretário-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy,
demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de as negociações da Rodada de Doha
serem retomadas antes de março de 2007. Lamy afirmou que o horizonte deverá ser
essa data.
Para ele, a suspensão das negociações ocorrida em julho passado, constitui
um acidente e abriu um período de reflexão. A reunião do G-20 que termina hoje
(10) no Rio de Janeiro faz parte desse processo, afirmou Lamy em entrevista
coletiva à imprensa nesta tarde.
Lamy comparou o “acidente” ocorrido a um carro e afirmou que esse veículo se
encontra na oficina mecânica para reparos na OMC. A partir daí, disse que três
perguntas têm de ser respondidas: As negociações devem ser retomadas? Como? Quando?
A disposição geral, conforme informou, é que as negociações sejam retomadas.
Para ele, essa é a melhor hipótese disponível para os chamados surtos de
importação. Sobre a forma como isso será feito, Lamy sugeriu que se comece do
ponto onde as discussões foram interrompidas, em julho passado, na área da
agricultura e de acesso a mercados.
Além de trabalhos técnicos que incluam a questão dos produtos especiais,
deverão ter prosseguimento também as conversações políticas. Segundo indicou
Lamy, todos os países que participaram do encontro do G-20 concordam com isso.
Quanto à data de reinício das negociações, ele disse que o tempo máximo
necessário para a reativação das negociações de Doha tem a ver com o mecanismo
do TPA (autorização dada pelo Congresso norte-americano ao Executivo para
a realização de acordos internacionais), cuja vigência se encerra em
julho próximo e com a nova Lei Agrícola dos Estados Unidos.
Em segundo lugar, ele destacou que para reiniciar as conversas é preciso que
as questões técnicas avancem junto com as questões políticas. O tema será
abordado esta semana em reuniões do Banco Mundial e Fundo Monetário
Internacional em Cingapura e do grupo de Cairns, que reúne países agrícolas, na
Austrália. Também será objeto de análise pela OMC em Genebra.
Para Pascal Lamy, a reunião do G-20 no Rio de Janeiro permite que se vá na
direção de um terceiro momento no processo de retomada de Doha.
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