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12 de Setembro de 2006 - 19h24 - Última modificação em 13 de Setembro de 2006 - 13h09


Nacional foi ao ar em 1936 com música "Luar do Sertão"

Aécio Amado
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - "Alô alô Brasil! Aqui fala a Rádio Nacional do Rio de Janeiro!". Assim, sábado, 12 de setembro de 1936, às 21 horas, entrava no ar a PRE-8 Rádio Nacional. A voz do locutor Celso Guimarães era antecedida pela música prefixo da emissora, “Luar do Sertão”, um clássico do cancioneiro popular brasileiro, composição de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco. Em pouco tempo, a emissora se transformaria na principal rádio da América Latina.

Terça-feira, 12 de setembro de 2006, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro comemora 70 anos. Desde a primeira transmissão, marcada pela voz de Celso Guimarães, até hoje, a emissora da Praça Mauá sempre uniu o cultural ao artístico, com resultados que revolucionaram a radiofonia brasileira. Na dramaturgia, com as novelas; nos programas de auditórios, com a Hora do Pato, programas Manoel Barcelos e César de Alencar; dos humorísticos, com o Edifício Balança Mas Não Cai; e concertos, com sua orquestra de mais de 80 músicos sob o comando de Radamés Gnatalli.

O jornalismo radiofônico também teve o seu pioneirismo na rádio. Nos anos 40, quando as emissoras do país liam notícias recortadas dos jornais impressos, a Rádio Nacional, com Heron Domingues e o Repórter Esso, criava o jornalismo radiofônico dando forma ao texto para a linguagem do rádio. Rapidamente o Repórter Esso se transformava no mais importante noticiário radiofônico do país, marcando época no jornalismo do rádio brasileiro. Durante a Segunda Guerra Mundial, Heron Domingues dormia na redação da emissora para poder informar os acontecimentos da guerra sempre em primeira mão.

A partir dos anos 60, com a instalação da ditadura militar no país, em 1964, e o advento da televisão como veículo de massa, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro começava a viver seu processo de decadência. Seus principais talentos deixam a emissora: alguns são perseguidos pelo governo militar e outros migram para a televisão. Sua orquestra se desfaz e a equipe de músicos, cantores e atores tomam outros caminhos. Entre eles, Paulo Gracindo, Max Nunes, Dias Gomes, Mário Lago, Jorge Gulart, Ivon Cury etc.

No fim dos anos 70, com a criação da Radiobrás, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro é incorporada à nova empresa de comunicação do governo. Apesar disso, não consegue recuperar o mesmo fôlego de outrora. Em 2003, a Radiobrás realiza um projeto de revitalização da emissora da Praça Mauá (veja especial multimídia produzido na ocasião), por meio de um convênio com a Petrobras. Os estúdios e o auditório são recuperados, novos equipamentos são adquiridos e um transmissor digital de última geração é instalado. A emissora também ganha uma nova grade de programação.

Como emissora pública, a Rádio Nacional adota um novo plano editorial com foco no cidadão e no direito do povo à informação, incluindo o direito aos bens culturais e o de livre expressão. Dentro do conceito de jornalismo expandido, ou seja, um jornalismo que contextualize a informação, as expressões culturais e artísticas da cidade do Rio de Janeiro passam a alimentar sua nova programação. Os jornalísticos como o “Notícias da Manhã” e o noticiário “Nacional Informa” já são transmitidos em rede com a Rádio Nacional de Brasília, Nacional da Amazônia e emissoras parceiras.

De acordo com o diretor comercial da Radiobrás e coordenador dos eventos comemorativos dos 70 anos da emissora da Praça Mauá, José Alberto, a Nacional quer ser a Rádio do Rio e, para isso, vai destacar na sua programação a cobertura de eventos culturais e artísticos que ocorram na Lapa, um dos bairros mais tradicionais da cidade. Segundo ele, a revitalização passa também pela sua audiência, na conquista de novos ouvintes na faixa etária adulto jovem.

Hoje, no aniversário de 70 anos da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a dramaturgia volta ao palco sonoro da emissora da Praça Mauá. A peça “Rádio Nacional – As ondas que conquistaram o Brasil”, em cartaz no Teatro Villa Lobos, em Copacabana, será transmitida ao vivo. Diretores e funcionários, produtores e artistas que fizeram parte do elenco da emissora como Marlene, Ademilde Fonseca, Jorge Goulart entre outros estarão presentes.

Durante todo o dia, a Rádio Nacional veiculou pequenos trechos de programas que marcaram época na radiofonia brasileira, que estão disponíveis ao lado.


 


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