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Rio de Janeiro - "Alô alô Brasil! Aqui fala a Rádio Nacional do Rio de Janeiro!". Assim, sábado, 12 de setembro de 1936, às 21 horas, entrava no ar a PRE-8 Rádio Nacional. A voz do locutor Celso Guimarães era antecedida pela
música prefixo da emissora, “Luar do Sertão”, um clássico do
cancioneiro popular brasileiro, composição de Catulo da Paixão Cearense
e João Pernambuco. Em pouco tempo, a emissora se transformaria na principal rádio da América Latina.
Terça-feira, 12 de setembro de 2006, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro comemora 70 anos. Desde a primeira transmissão, marcada pela voz
de Celso Guimarães, até hoje, a emissora da Praça Mauá sempre uniu o
cultural ao artístico, com resultados que revolucionaram a radiofonia
brasileira. Na dramaturgia, com as novelas; nos programas de
auditórios, com a Hora do Pato, programas Manoel Barcelos e César de
Alencar; dos humorísticos, com o Edifício Balança Mas Não Cai; e
concertos, com sua orquestra de mais de 80 músicos sob o comando de
Radamés Gnatalli.
O jornalismo radiofônico também teve o seu
pioneirismo na rádio. Nos anos 40, quando as emissoras do país liam notícias recortadas dos
jornais impressos, a Rádio Nacional, com Heron Domingues e o Repórter
Esso, criava o jornalismo radiofônico dando forma ao texto para a
linguagem do rádio. Rapidamente o Repórter Esso se transformava no mais
importante noticiário radiofônico do país, marcando época no jornalismo
do rádio brasileiro. Durante a Segunda Guerra Mundial, Heron Domingues
dormia na redação da emissora para poder informar os acontecimentos da
guerra sempre em primeira mão.
A partir dos anos 60, com a instalação da
ditadura militar no país, em 1964, e o advento da televisão como
veículo de massa, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro começava a viver
seu processo de decadência. Seus principais talentos deixam a emissora:
alguns são perseguidos pelo governo militar e outros migram para a
televisão. Sua orquestra se desfaz e a equipe de músicos, cantores e
atores tomam outros caminhos. Entre eles, Paulo Gracindo, Max Nunes,
Dias Gomes, Mário Lago, Jorge Gulart, Ivon Cury etc.
No fim dos anos 70, com a criação da Radiobrás,
a Rádio Nacional do Rio de Janeiro é incorporada à nova empresa de
comunicação do governo. Apesar disso, não consegue recuperar o
mesmo fôlego de outrora. Em 2003, a Radiobrás realiza um projeto de revitalização da emissora da Praça Mauá (veja especial multimídia produzido na ocasião), por meio de um convênio com a Petrobras. Os
estúdios e o auditório são recuperados, novos equipamentos são
adquiridos e um transmissor digital de última geração é instalado. A
emissora também ganha uma nova grade de programação.
Como emissora pública, a Rádio Nacional adota um novo
plano editorial com foco no cidadão e no direito do povo à informação,
incluindo o direito aos bens culturais e o de livre expressão. Dentro do conceito de jornalismo expandido, ou seja,
um jornalismo que contextualize a informação, as expressões culturais e
artísticas da cidade do Rio de Janeiro passam a alimentar sua nova
programação. Os jornalísticos como o “Notícias da Manhã” e o noticiário
“Nacional Informa” já são transmitidos em rede com a Rádio Nacional de
Brasília, Nacional da Amazônia e emissoras parceiras.
De acordo com o diretor comercial da Radiobrás e
coordenador dos eventos comemorativos dos 70 anos da emissora da
Praça Mauá, José Alberto, a Nacional quer ser a Rádio do Rio e, para
isso, vai destacar na sua programação a cobertura de eventos culturais
e artísticos que ocorram na Lapa, um dos bairros mais tradicionais da
cidade. Segundo ele, a revitalização passa também pela sua audiência, na conquista de novos
ouvintes na faixa etária adulto jovem.
Hoje, no aniversário de 70 anos da Rádio Nacional do
Rio de Janeiro, a dramaturgia volta ao palco sonoro da emissora da
Praça Mauá. A peça “Rádio Nacional – As ondas que conquistaram o
Brasil”, em cartaz no Teatro Villa Lobos, em Copacabana, será
transmitida ao vivo. Diretores e funcionários, produtores e artistas
que fizeram parte do elenco da emissora como Marlene, Ademilde Fonseca,
Jorge Goulart entre outros estarão presentes.
Durante todo o dia, a
Rádio Nacional veiculou pequenos trechos de programas que marcaram
época na radiofonia brasileira, que estão disponíveis ao lado.
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