Skip to content. Skip to navigation

A empresa    O Jornalismo    Fale Conosco    Trabalhe Aqui    Contas
BUSCA:     Ok  
 
Notícias Grandes Reportagens Coberturas Temáticas Banco de Imagens Multimídia Todos os Assuntos Canal do Leitor
 
13 de Setembro de 2006 - 12h30 - Última modificação em 13 de Setembro de 2006 - 13h10


Militantes gaúchos relacionam campanha "fria" a desencanto com corrupção

Spensy Pimentel
Enviado Especial

 
envie por e-mail
imprimir
comente/comunique erros
download gratuito
Valter Campanato/ABR
Porto Alegre (RS) - Material de campanha no comitê do PMDB gaúcho. Militantes reclamam da falta de interesse dos eleitores pelo debate político. Porto Alegre (RS) - Material de campanha no comitê do PMDB gaúcho. Militantes reclamam da falta de interesse dos eleitores pelo debate político.
Porto Alegre (RS) - A cena já foi comum, segundo narra quem circula pela avenida João Pessoa, no centro da capital gaúcha. Grupos de militantes realizando campanha pela rua se encontram. Alguém solta uma provocação e o bate-boca acaba em briga. "E dá-lhe pau. O pessoal acaba indo parar no hospital ou na delegacia", conta Valdir Lacerda da Silva, dono de bar na região.

Na avenida João Pessoa, pouco mais de 100 metros separam o diretório estadual do PMDB no Rio Grande do Sul e o diretório municipal do PT em Porto Alegre. Em tempo de campanha, ambos se transformam em centros de coordenação das atividades dos militantes e distribuição de material eleitoral.

Só que, este ano, a menos de três semanas do primeiro turno das eleições, a avenida João Pessoa está tranqüila. "Não deu nenhuma briga por aqui", diz Valdir. A sensação de que há algo errado no ar é confirmada por militantes dos dois partidos, historicamente adversários no estado e, nesta eleição, responsáveis por dois dos principais candidatos a governador.

"Há um repúdio diante de tudo o que tem acontecido", afirma André Carús, 24 anos, presidente da Juventude do PMDB em Porto Alegre, em referência aos escândalos envolvendo investigações sobre corrupção no governo federal e no Congresso.

"Há uma descrença geral. Tem gente que não sabe diferenciar. Uma parte do povo vê as denúncias e coloca todos os políticos num saco de gatos."

Carús conta que percebe esse repúdio quando faz campanha na rua, entregando material na porta de escolas, por exemplo. "Tem gente que rasga, bota no chão. Tem gente que olha e entrega de volta, de desaforo. Tem gente que pega o material, sai andando e depois bota no lixo."

"A ética aqui no Rio Grande é muito cobrada. Tanto é que, nesses escândalos, praticamente não tem nenhum gaúcho", afirma Marcos Cruz, um dos coordenadores de campanha do PT no estado.

Clara Maria Scott Silva, 56 anos, militante do PT desde 1983, reclama de uma "campanha da mídia" para colocar em descrédito os candidatos do partido.

"Colocam um carimbo, como se fôssemos todos corruptos", diz a petista. Ela aponta como fator adicional para a apatia na campanha as limitações impostas pela nova legislação eleitoral, que proíbe a utilização de outdoors, cartazes e faixas em espaços públicos, por exemplo.

"Já houve campanha em que essa cidade ficou vermelha", lembra, em alusão à cor de seu partido, que já governou a capital por quatro mandatos e, o estado, na gestão anterior à atual. "Agora estão com essas restrições novas. Nas próximas eleições, é capaz até que cortem o horário eleitoral. No futuro, acho que vamos precisar de uma bola de cristal para saber que vai ter eleição."

O adversário Carús, do PMDB, concorda que é, principalmente, a menor presença de militantes do PT o que provoca a impressão de esvaziamento. "Indiretamente, pela agitação do PT, obrigava os outros partidos a ir para a rua."

Outro ponto tradicional de divulgação das campanhas em Porto Alegre é a Esquina Democrática, entre a rua dos Andradas e a avenida Borges de Medeiros, no centro da capital.

Segundo os militantes que fazem campanha no local, cerca de 500 mil pessoas passam por ali todos os dias. O ponto é tradicionalmente tão concorrido que a Justiça Eleitoral realiza sorteios e determina os dias em que cada coligação ou partido pode fazer campanha ali.

Num banco de rua próximo à esquina, um grupo de velhos amigos que se reúne ali há mais de 30 anos confirma: é a campanha mais desanimada das últimas décadas. "Só vêm fazer campanha os que têm cargo. Neste horário (18h), era pra ter mais de mil pessoas fazendo campanha ali", diz o radialista Gustavo Alves, 62 anos.

"A falta de credibilidade dos políticos anda muito grande. Acho que muita gente vai anular seu voto. O povo está muito desgostoso", emenda o funcionário público João Carlos Lemos, 66 anos.

 

 


 


O conteúdo deste site é publicado sob uma Licença Creative Commons Atribuição 2.5. Brasil.

Expediente      Fale com a redação

Agencias Parceiras

  
Portugal  Argentina