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Valter Campanato/ABR
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Porto Alegre (RS) - O presidente da juventude do PMDB na capital gaúcha, André Carús, acredita que a revolta com a corrupção reduziu o interesse popular pela campanha eleitoral. "Há uma descrença geral."
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Porto Alegre (RS) - Num estado com
tradição política como o Rio Grande do Sul, é possível perceber, nas
trajetórias pessoais de alguns militantes, a influência e as referências a
passagens importantes da história recente do país. Dois dos entrevistados pela
equipe da Radiobrás são exemplos: aprenderam a fazer política em casa, com o
pai, e, desde muito jovens, passaram a dedicar parte de seu tempo à militância.
Clara Scott, 56 anos, era
bancária no final dos anos 70, quando quem dirigia o sindicato da categoria era
Olívio Dutra, mais tarde governador do Rio Grande do Sul pelo PT. Em 1983,
filiou-se ao recém-criado PT: "È aquela coisa, tu quer uma sociedade mais
justa e igualitária, e no partido encontra mais gente que compartilha desses
ideais."
Depois de atuar voluntariamente
em várias campanhas eleitorais, trabalhando em horário de almoço, à noite e aos
fins de semana pelo partido, Clara resolveu dedicar-se em tempo integral à
atividade. Em 1994, inscreveu-se para o concurso de secretária do diretório
municipal do PT em Porto Alegre e foi selecionada. Passou oito anos no
trabalho, de 1995 a 2003.
Lá, Clara conta que buscou
tarefas ligadas ao atendimento ao público, seja como recepcionista ou ouvidora.
"É interessante porque tu dá aquele tratamento para o pessoal. Tem que ter
paciência, ouvir", diz ela. "È uma coisa que a gente não consegue
mudar: as pessoas querem resolver todos os seus problemas no período
eleitoral."
O pai de Clara era funcionário da
Assembléia Legislativa e, apesar de nunca ter se filiado a um partido,
envolvia-se constantemente em política.
"Ele chegou a se
entrincheirar com o Brizola no palácio", conta a petista, fazendo
referência ao movimento de resistência que o então governador do estado, Leonel
Brizola, comandou em 1961 para defender a posse de João Goulart
(vice-presidente) após a renúncia de Jânio Quadros (presidente).
"Tinha hora em que eu me
indignava com ele: puxa, o senhor me diz pra votar em candidato de esquerda, eu
voto, eles vão lá e cassam", lembra Clara. "Ele saía de madrugada pra
fazer colagem (de cartazes). Era um homem muito generoso e dedicado."
O pai de André Carús, 24 anos,
militante do PMDB há 10, foi vereador por dois mandatos em Alegrete (RS).
Antigo militante do MDB, Eroni Carús acabou cassado no início do regime
militar. Passou 15 anos sem seus direitos políticos e, após a redemocratização
do país, voltou a se eleger vereador.
André Carús começou na política
no movimento estudantil secundarista. Hoje, ele é presidente da Juventude do
PMDB na cidade e também participa da direção estadual dessa organização
partidária.
Ele se diz contrário às últimas
decisões tomadas pela direção nacional do partido, como a de não apresentar
candidato à Presidência da República – o atual governador do Rio Grande do Sul,
Germano Rigotto, chegou a se apresentar como pré-candidato.
"Algumas pessoas querem usar
o partido hoje como instrumento para tirar vantagem, um balcão de negócios para
atender seus interesses", critica o advogado e assessor do senador Pedro
Simon (PMDB-RS) no escritório em Porto Alegre.
Segundo Carús, políticos como o
deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), senador José Sarney (PMDB-AP) e Jader
Barbalho (PMDB-PA) são exemplos do que ele não quer para o partido.
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