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São Paulo - O número de desempregados na faixa de 16 a 24 anos de idade
atingiu, em 2005, 1,473 milhão de pessoas nas cinco principais regiões
metropolitanas do país - São Paulo, Recife, Salvador, Porto Alegre e Belo
Horizonte e no Distrito Federal. Esse contingente representava 45,5% do
total de trabalhadores sem emprego nesses locais (3,241 milhões). Já os que
foram absorvidos pelo mercado de trabalho alcançaram a 3,157 milhões ou 20,7%
do universo de empregados com idade acima de 16 anos.
Os dados estão em um documento de estudo e pesquisa sobre
a ocupação dos jovens no mercado de trabalho divulgado ontem (13) pelo
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
De acordo com o levantamento, a população jovem de 16 a 24
anos de idade era de 6,452 milhões de pessoas, 23,8% da população com idade
acima de 16 anos. E do total das pessoas aptas a entrarem no mercado de
trabalho, os jovens de 16 a 24 anos somavam 4,629 milhões.
Os técnicos do Dieese, no entanto, classificaram como
“bastante elevada” a taxa de participação desses jovens no mercado de trabalho,
superando inclusive a de pessoas com idade acima de 25 anos nas regiões de São
Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte. No Distrito Federal foi identificado um
certo equilibro da taxa, enquanto ocorreu o contrário nas regiões metropolitanas
de Recife e Salvador, onde predominaram as taxas de participação da população
com 25 anos e mais.
A pesquisa revela ainda que as chances de ocupação foram
melhores em áreas de economia mais dinâmica. Em Porto Alegre, a taxa de
desemprego atingiu 26,3% e em Salvador, 41,4%.
Na análise técnica também é destacado que a dificuldade dos
jovens é mais acentuada quando disputam vagas com trabalhadores de maior
experiência profissional. “Esse é um dos principais fatores de desagregação
social no período atual brasileiro”, ressalta o documento. Os adolescentes na
faixa de 16 a 17 anos são os mais atingidos pelo desemprego, e entre os rapazes
e moças, elas são as mais excluídas.
Comparando 2005 com 2004, o estudo observa queda na taxa de
participação dos jovens em quase todas as regiões, exceto São Paulo, onde o
percentual saltou de 76,7% para 76,8%. Esse recuo pode em parte estar associado
ao desalento, diz o documento.
Na análise, os técnicos salientam ainda que os jovens mais
pobres encontram maior dificuldade em conciliar estudo e trabalho. Em Salvador,
no ano passado 69,4% dos jovens ocupados nas famílias de baixo poder aquisitivo
apenas trabalhavam. No Distrito Federal, esse percentual foi maior, 78,9%.
Já nas famílias de maior renda no Distrito Federal foram
encontrados 46,8% dos jovens ocupados que apenas trabalhavam.
Quanto à formação, predominou entre os mais pobres o ensino
fundamental incompleto. Já entre os mais ricos, foi verificado com mais
freqüência jovens com ensino médio completo. As chances de arranjar emprego
foram maiores no setor de serviços, que absorveu 61,9% dos jovens ocupados no
Distrito Federal e 55,1% em Salvador. O comércio aparece em segundo lugar em
Belo Horizonte, Distrito Federal, Recife e Salvador. Em Porto Alegre e São
Paulo, o maior empregador foi a indústria.
O estudo mostra também que em geral o jovem ocupado é do
sexo masculino com ensino médio completo e, na grande maioria das vezes, cumpre
uma jornada de trabalho acima de 39 horas.
O rendimento oscila entre um e dois salários mínimos e
prevalece o vínculo de trabalho com carteira assinada. Os mais pobres apenas
trabalham e não estudam e têm rendimentos inferiores a um salário mínimo.
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