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Manaus -
A possibilidade de realização de uma avaliação
obrigatória para que médicos recém-formados exerçam a profissão causou polêmica
hoje (14) entre os 350 profissionais e estudantes de medicina reunidos no 2º
Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina de 2006.
A Comissão para Assuntos
Políticos do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Médica
Brasileira (AMB) deu parecer contrário ao projeto de lei que institui o chamado
exame nacional de proeficiência em medicina, mas o presidente da Sociedade de
Cardiologia de São Paulo, Bráulio Luna Filho, defendeu a
proposta.
“O Brasil é o país que mais tem faculdades de medicina no mundo.
Na China, há 151; nós já temos 154 autorizadas pelo Ministério da Educação. Só em
São Paulo, são 28 funcionando, e quatro a serem abertas”, afirmou Luna Filho.
“Nos Estados Unidos, já houve mais de 300 cursos de medicina. Mas, com a
realização de exames de ordem, eles caíram para 126”.
Luna Filho lembrou que o Conselho Regional de Medicina de
São Paulo (Cremesp) realizou no ano passado um exame voluntário de avaliação dos
formandos em medicina. “Tivemos 50% de adesão. E algumas faculdades mal
avaliadas já nos procuraram, porque a busca pelo curso caiu”, disse ele.
De acordo com o presidente do Cremesp, Desiré Carlos Callegari, essa avaliação voluntária surgiu como resposta às crescentes denúncias de erros
médicos que o conselho tem recebido. “Eu dou aulas na Faculdade de Medicina do
ABC. Lá, o resultado do exame serviu para repensar algumas disciplinas do
curso”, afirmou Callegari. Ele ressaltou, porém, que a avaliação deve ser vista "como um balizamento, não
como um ranqueamento de faculdades”. O presidente do CFM, Edson de Oliveira
Andrade, manifestou-se contra o exame de ordem. “O mercado sozinho não
ocasiona a mudança de qualidade do ensino”, replicou. “O exame de habilitação
age sobre a vítima, não sobre o algoz. O paciente é a segunda vítima em
potencial, que fará uso dos serviços da vítima primária”.
No texto preliminar da Proposta dos Médicos para o Brasil - carta com recomendações aos candidatos à presidência da República elaborada pelo
CFM, pela AMB e pela Federação Médica Brasileira – o tema da formação
profissional também aparece. O documento – que foi avaliado hoje, mas voltará à
plenária amanhã – propõe apoio ao projeto de lei que torna os pareceres do
Conselho Nacional de Saúde pré-requisito para abertura de novas escolas e ao
projeto de lei que proíbe a criação de novos cursos de medicina e a ampliação de
vagas nos já existentes durante os próximos dez anos.
“Temos uma formação médica totalmente desregrada, o ensino
superior tornou-se um comércio. Nós vemos aprovarem a criação de novos cursos de
medicina sem nenhum critério”, lamentou o presidente da AMB, José Luís Gomes do
Amaral. “Nós já temos médicos em número suficiente no país [são 310 mil profissionais ativos, 90 mil só em São Paulo]. Eles só não estão
adequadamente distribuídos pelo território. Para isso, falta um plano de
cargos, carreiras e salários similiar ao do Judiciário ou das Forças Armadas”,
completou
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