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18 de Setembro de 2006 - 12h53 - Última modificação em 18 de Setembro de 2006 - 17h23


Doenças mentais e psicossomáticas preocupam a ONU

Alessandra Bastos
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - As doenças mentais e psicossomáticas são motivo de preocupação em todo o mundo. O secretário de Atenção Básica do Ministério da Saúde, José Gomes Temporão, alerta que a Organização das Nações Unidas (ONU) projeta que “em dez, 20 anos, as principais causas de adoecimento serão as doenças mentais, principalmente depressão e uso de drogas”.

Ele explica como o Brasil está se preparando e o que precisa ser feito nos próximos anos para não haver um colapso na área futuramente. Temporão adianta que, no campo da assistência à saúde mental, o Brasil já é “uma referência internacional”.

As políticas brasileiras na área mental têm como foco a des-hospitalização. Ao invés de internar o paciente, privando-o do convívio familiar e aumentando os custos do tratamento, mantê-lo junto à família e à comunidade. De acordo com o secretário, 93% dos gastos públicos com saúde mental eram com internação. Hoje, com a mudança de foco, esse número baixou para 60%.

Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) foram criados para o tratamento desses pacientes. Há ainda uma modalidade específica para Álcool e Drogas, chamada CAPS-AD. Neles, sem internação, o paciente é tratado por assistentes sociais, psicólogos e terapias.

As campanhas contra o uso de drogas foram substituídas pelas informativas, que integram a política de redução de danos já que 11% da população adulta brasileira é dependente de álcool e abandonar o uso de drogas é o caso de apenas 30% dos dependentes segundo pesquisas internacionais. Os dados são do Ministério da Saúde.

Para o secretário é preciso “humanizar” o atendimento médico em todas as áreas. Ele explica que a medicina brasileira se espelha na norte-americana, onde os médicos se especializam “precocemente com perda dos fundamentos da clínica médica, como a escuta do paciente, o acolhimento, respeito. A humanização é um componente de qualidade muito importante em qualquer sistema de saúde”. O ministério lançou, neste ano, a Carta de Direitos dos Usuários da Saúde justamente para informar o cidadão sobre os seus direitos ao procurar um serviço médico.

Para o pesquisador do departamento de Ciências Sociais da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), Nilson Rosário da Costa, “é uma mudança cultural em que a sociedade tem que aumentar a sua tolerância. Os novos serviços criados são extremamente valiosos, não anulam a subjetividade do sujeito, é uma revolução. Mais que uma semente, são plantas já brotando flores”.



 


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