Dois grupos de artistas. Duas trajetórias distintas. Um é do Brasil,
vindo de Pernambuco, e outro da África, vindo de Senegal. Duas nações
tão distintas, mas tão cheias de semelhanças culturais.
Para
abrir a atividade “Espelho das Artes”, que fez parte do 1° Encontro Sul
Americano de Culturas Populares, os grupos “Mestre Salustiano e a
Rebeca Encantana” e o “Trio Sylla, Reijseger e Gueye” foram convidados
para apresentar seus shows e mostrar o quanto têm em comum.
“Mestre
Salustiano e a Rebeca Encantada”, artista popular vindo do interior de
Pernambuco, mas que já estreou nas prateleiras das lojas de disco. O
cantor Salu é conhecido por mostrar suas melodias nos arraiais juninos.
Quem comanda a dança é o xote e o forró de rabeca, nome dado ao seu
famoso violino artesanal.
Já o “Trio Sylla,
Reijseger e Gueye”, formado pelo violoncellista holandês Ernst
Reijseger e os músicos senegaleses Mola Sylla e Serigne Gueye, fazem
uma viagem entre a música de origem européia e africana.
Diferenças
sim, mas semelhantes muitas. Durante a apresentação musical que
conquistou todo o público do 1° Encontro Sul Americano de Culturas
Populares, os dois grupos mostraram que além dos instrumentos, também
têm em comum o ritmo, as batidas, as vestimentas e a própria dança.
A
maior semelhança, no entanto, está na oralidade: eles cantam para
contar histórias. Histórias de vida, do cotidiano de seu povo.
Histórias sofridas, alegres, de famílias, de festas e histórias da
própria cultura de seu país.
De acordo com o
gerente da Secretaria de Identidade e da Diversidade Cultural, do
Ministério da Cultura, Américo Cordula, o “Espelho das Artes” tem
justamente essa função. Um espaço para mostrar o quanto as culturas dos
países têm em comum.
“Esse espaço é uma espécie de
oficina na qual o Brasil e outros países da América do Sul vão se
espelhar. Vão mostrar ao público o quanto a nossa cultura e a de outros
países sulamericanos têm em comum”, disse Cordula, em entrevista à
Agência Brasil.
"Hoje, pudemos mostrar que em algum
lugar, lá no canto da África, tem uma batida que acontece também no
interior de Pernambuco. Os motivos? Percebemos que há uma presença
forte, marcante, uma influência dos escravos que vieram para cá e
trouxeram esse ritmo que está incorporado dentro da cultura
pernambucana, cearense, nordestina."
Hoje (16), terceiro dia do encontro, o “Espelho das Artes” vai apresentar
as semelhanças existentes entre os tambores do grupo Crioula do
Maranhão e do grupo Tambores do Barlovento, da Venezuela. “Amanhã, será
a vez desses dois grupos terem uma uma aula-espetáculo para explicarem
um ao outro suas tradições”.
No domingo, último dia do encontro, quem vão se apresentar neste espaço e mostrar à sociedade suas semelhantes são os grupos “Os Caretas de Lizarda”, de Tocantins, e “Qhapaq Negro”, do Peru.