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16 de Setembro de 2006 - 09h36 - Última modificação em 16 de Setembro de 2006 - 09h42


Grupos populares sul-americanos mostram semelhanças em encontro

Ana Paula Marra
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Dois grupos de artistas. Duas trajetórias distintas. Um é do Brasil, vindo de Pernambuco, e outro da África, vindo de Senegal. Duas nações tão distintas, mas tão cheias de semelhanças culturais.

Para abrir a atividade “Espelho das Artes”, que fez parte do 1° Encontro Sul Americano de Culturas Populares, os grupos “Mestre Salustiano e a Rebeca Encantana” e o “Trio Sylla, Reijseger e Gueye” foram convidados para apresentar seus shows e mostrar o quanto têm em comum.

“Mestre Salustiano e a Rebeca Encantada”, artista popular vindo do interior de Pernambuco, mas que já estreou nas prateleiras das lojas de disco. O cantor Salu é conhecido por mostrar suas melodias nos arraiais juninos. Quem comanda a dança é o xote e o forró de rabeca, nome dado ao seu famoso violino artesanal.

Já o “Trio Sylla, Reijseger e Gueye”, formado pelo violoncellista holandês Ernst Reijseger e os músicos senegaleses Mola Sylla e Serigne Gueye, fazem uma viagem entre a música de origem européia e africana.

Diferenças sim, mas semelhantes muitas. Durante a apresentação musical que conquistou todo o público do 1° Encontro Sul Americano de Culturas Populares, os dois grupos mostraram que além dos instrumentos, também têm em comum o ritmo, as batidas, as vestimentas e a própria dança.

A maior semelhança, no entanto, está na oralidade: eles cantam para contar histórias. Histórias de vida, do cotidiano de seu povo. Histórias sofridas, alegres, de famílias, de festas e histórias da própria cultura de seu país.

De acordo com o gerente da Secretaria de Identidade e da Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura, Américo Cordula, o “Espelho das Artes” tem justamente essa função. Um espaço para mostrar o quanto as culturas dos países têm em comum.

“Esse espaço é uma espécie de oficina na qual o Brasil e outros países da América do Sul vão se espelhar. Vão mostrar ao público o quanto a nossa cultura e a de outros países sulamericanos têm em comum”, disse Cordula, em entrevista à Agência Brasil.

"Hoje, pudemos mostrar que em algum lugar, lá no canto da África, tem uma batida que acontece também no interior de Pernambuco. Os motivos? Percebemos que há uma presença forte, marcante, uma influência dos escravos que vieram para cá e trouxeram esse ritmo que está incorporado dentro da cultura pernambucana, cearense, nordestina."
 
Hoje (16), terceiro dia do encontro, o “Espelho das Artes” vai apresentar as semelhanças existentes entre os tambores do grupo Crioula do Maranhão e do grupo Tambores do Barlovento, da Venezuela. “Amanhã, será a vez desses dois grupos terem uma uma aula-espetáculo para explicarem um ao outro suas tradições”. 

No domingo, último dia do encontro, quem vão se apresentar neste espaço e mostrar à sociedade suas semelhantes são os grupos “Os Caretas de Lizarda”, de Tocantins, e “Qhapaq Negro”, do Peru.



 


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