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Brasília - Um
pandeiro e a tradição do Norte foi a mistura que rendeu uma das manifestações populares apresentadas ao público no 1º Encontro
Sul-Americano de Culturas Populares, em Brasília.
Os
grupos paraenses Os Quentes da Madrugada, de Santarém Novo, e Raio de Sol
(representando a Marujada de Quatipuru) se uniram para “puxar” o Carimbó no
meio do povo. Os artistas da cultura popular paraense, que vieram a Brasília pela
primeira vez, logo foram rodeados pelo público e por representantes de outras culturas brasileiras presentes no encontro.
Membro da Marujada de Quatipuru, Raimundo Rodrigues Borges
conta que a Marujada, cultura transmitida pelos escravos, se tornou uma grande
festa que dura dias e dias em quase todo o Pará, como os municípios de
Bragança, Quatipuru, Capanema, São João de Pirabas e Santarém Novo. As marujas
dançam vestidas de branco com saia vermelha e chapéu de penas e fitas, os
homens, também de vermelho e branco, usam chapéus enfeitados com flores.
A
participação dos diferentes grupos de folclore popular do Pará no encontro
sul-americano em Brasília permitiu a aproximação dos artistas e a troca de
saberes ainda em seu Estado. Eles se encontraram no seminário preparatório em
Belém e depois pegaram a estrada juntos até Brasília. “Somos uma irmandade. Todo mundo unido”, alegra-se Raimundo.
Quatipuru
fica a cerca de três horas e meia de carro de Belém. Uma das mais tradicionais
festas paraenses, a Marujada, começa no dia 18 de dezembro e só termina 10
dias depois, com as bênçãos do padroeiro São Benedito, como no tempo dos
escravos. Em um grande terreiro iluminado por imensas fogueiras, marujos e
marujas cantam e dançam ao ritmo do tambor, réco-réco, pandeiro, xéqui-xéqui e
viola.
O 1º
Encontro Sul-Americano de Culturas Populares prossegue até domingo (17) no Complexo
Cultural da Funarte, em Brasília. Além das atrações artísticas, a programação
inclui o 2º Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas
Populares.
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