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Manaus - A Proposta dos Médicos para o Brasil - uma carta com recomendações aos
candidatos à presidência da República – foi aprovada hoje (15) em Manaus pelos
cerca de 350 participantes do 2º Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina de
2006. As diretorias do Conselho
Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Federação
Médica Brasileira fizeram a versão preliminar do documento.
“O principal
objetivo é deixar explícito a todos aqueles que vão conduzir o país na próxima
gestão, no Executivo e no Legislativo, quais são as expectativas da classe
médica”, declarou o presidente da AMB, José Luís Gomes do Amaral. “Ela traz o
que nós entendemos que sejam as necessidades para o atendimento pleno à saúde de
todos os brasileiros.”
Um dos pontos da carta é o apoio ao Projeto de Lei
01/2003. Ele regulamenta a Emenda Constitucional 29 (aprovada em 2000) que
estabelece que a União deve gastar anualmente 10% das suas receitas com saúde;
os estados, 12%, e os municípios, 15%.
“Essa emenda criou as bases de
financiamento do Sistema Único de Saúde. Mas para que
haja mecanismos de controle do seu cumprimento, ela precisa ser regulamentada”,
defendeu o presidente do CFM, Edson de Oliveira Andrade.
Consta também
no texto o estabelecimento de um piso nacional para a categoria médica, no valor
de R$ 3.353 para o período de 20 horas semanais. “Esse piso já foi aprovado pelo
Congresso duas vezes e por duas vezes foi vetado pelo governo Fernando Henrique
Cardoso”, lembrou Andrade.
“A lei 3.995, de 1961, impôs um piso de três salários
mínimos, que é ridículo. Queremos fazer uma discussão sobre o valor e a
importância do trabalho médico.”
Um dos pontos mais polêmicos do documento talvez
seja o apoio ao Projeto de Lei 65/2003, do deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP),
que proíbe a criação de novos cursos de Medicina e a ampliação de vagas nos
cursos existentes nos próximos dez anos.
“Esse prazo é necessário para repensar
a qualidade da formação médica no Brasil, que hoje em dia se dá de maneira
irresponsável”, argumentou Andrade. “A quantidade de médicos em atividade no
país (310 mil) é mais do que suficiente. O que falta é
política de recursos humanos, de interiorização do profissional.”
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