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16 de Setembro de 2006 - 16h00 - Última modificação em 16 de Setembro de 2006 - 17h33


Antropólogo critica relação da mídia com a cultura popular brasileira

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília (Brasil) - A mídia não conhece a variedade da cultura brasileira e está transformando-a em um espetáculo, um produto comercial. A crítica é do professor de antropologia da Universidade de Brasília (UnB) José Jorge de Carvalho, que participou hoje (16) do 1º Encontro Sul-Americano de Culturas Populares.

De acordo com o professor, os profissionais da mídia não sabem lidar com as expressões populares e acabam por modificar o real significado dessas culturas. Para ele, a mídia precisa ouvir e aprender com os mestres (detentores da cultura popular).

“As pessoas chegam e filmam de qualquer maneira. Um editor, que nunca esteve em campo, é que vai escolher os aspectos mais espetaculares. De repente, uma parte, que é a mais significativa do ritual, não aparece porque não é vista como espetacular”, afirmou Carvalho, diante de uma platéia formada por artistas e artesãos de várias partes do Brasil e de outros países da América do Sul.

“A mídia no Brasil é muito ignorante em relação à diversidade cultural brasileira. Ela já tem um padrão do que os espectadores gostariam de ver. Dessa maneira, ela não educa e reforça os estereótipos”, acrescentou o antropólogo, em entrevista à Radiobrás.

Além da transformação em espetáculo, Carvalho falou sobre outro problema enfrentado pela cultura popular: a canibalização, ou seja, ser contada, praticada por quem não a conhece. Segundo o professor, a elite é a principal responsável por esse processo.

“Você tem uma cultura imensa, variada e rica, mas de pessoas e comunidades pobres. É muito fácil quando uma pessoa de classe média, com poucos recursos, aprende uma tradição cultural porque o mestre vai ensinar. Depois, essa pessoa pode constituir o seu próprio grupo e, às vezes, se apresenta no lugar do grupo tradicional que a ensinou”, explicou.

A intolerância religiosa é também um entrave para a prática da cultura popular. Durante o debate, artistas de regiões diversas do país contaram que grupos religiosos impedem suas expressões porque as consideram ofensivas.

Na opinião do professor, essa questão precisa ser tratada dentro dos poderes Executivo e Judiciário “para que as vozes dos oprimidos e discriminados sejam ouvidas”.

O 1º Encontro Sul-Americano de Culturas Populares termina amanhã (17).



 


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