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Valter Campanato/Abr
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Porto Alegre/RS - Acampamento relembra Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul. Tradicionalistas gaúchos defendem que levante contra corrupção seja feito agora nas urnas.
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Porto Alegre (RS) - A discordância em
relação aos rumos do governo federal, ao volume de impostos e aos produtos
importados que entram no país com facilidade já foi motivo para uma insurreição
armada no Rio Grande do Sul, a Revolução Farroupilha (1835-1845), mais
conhecida como Guerra dos Farrapos.
Os integrantes do Movimento
Tradicionalista Gaúcho promovem este mês as celebrações pelo 171º aniversário
do levante. E defendem que o descontentamento com a política econômica e as
denúncias de corrupção no governo federal e no Congresso seja combatido nas
urnas, em 1º de outubro.
"Graças a Deus, as armas
foram esquecidas, e hoje nossa revolução é o voto. Conclamo todo o povo
brasileiro a fazer uma revolução no voto, elegendo pessoas decentes para
governar o nosso país”, diz Nelson Lima dos Santos, 60 anos, coordenador da 1ª
Região Tradicionalista do movimento. “Não se deve ficar desanimado com a
corrupção. Vamos provar que ainda existem políticos honestos."
A preocupação com o atual estado
da política nacional é tanta que, pela primeira vez nos 59 anos de história do
movimento, segundo Santos, o movimento está indicando candidatos que apóia –
cinco a deputado estadual e cinco a federal.
A idéia, diz ele, é dar uma
referência ao eleitor que está desorientado com as denúncias de corrupção no
país, acreditando que "todo político é corrupto".
"Estamos começando um
movimento de consciência", diz Santos, que admite estar, ele próprio,
indignado. "Não posso admitir um governo que me governe seja tão desleal
com a causa pública como está acontecendo hoje em dia."
As conseqüências do modelo
econômico dos últimos anos também são alvo de críticas. "Houve muito
fechamento de fábricas por aqui."
O movimento tradicionalista,
conta Santos, surgiu em 1947, por inspiração de oito alunos do Colégio Estadual
Júlio de Castillhos, na capital gaúcha. Eles resolveram assumir para si a tarefa
de guardiões daquilo que entendiam como a cultura gaúcha "autêntica",
ameaçada pela invasão de manifestações culturais estrangeiras.
A partir da iniciativa do chamado
"Grupo dos Oito", surgiu um movimento cultural que hoje congrega mais
de quatro mil Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) em todo o Brasil. Além de
promover reuniões sociais como almoços e bailes, vários CTGs, conta Santos,
fazem trabalhos sociais e promovem educação complementar de adolescentes e
crianças. "Ali dentro, o jovem vai aprender a ser cidadão."
Esta semana, o MTG realiza, em
Porto Alegre, o Acampamento Farroupilha, como parte das comemorações da Semana
Farroupilha. No Parque Harmonia, ao lado de uma feira e de bares e
restaurantes, centenas de grupos tradicionalistas montam seus
"piquetes", que representam residências rurais gaúchas do passado,
tal qual elas são imaginadas.
Os tradicionalistas também usam
roupas típicas (bombachas, lenço, chapéu para os homens e vestidos de
"prenda" para as mulheres) e assistem a apresentações de
manifestações ditas tradicionais, como danças, poesia, música e atividades
envolvendo o domínio de habilidades utilizadas na pecuária extensiva, como o
laço. Para tradicionalistas gaúchos, nova Revolução Farroupilha deve ser feita
por meio do voto
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