No último
dia do 1º Encontro Sul-Americano de Culturas Populares e do 2º Seminário
Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares, artistas de
todo o país fizeram pressão para que o governo ceda um espaço, dentro dos
encontros, para que possam ocupar a mesa e apresentar suas reivindicações.
Durante
os últimos dias dos eventos, por diversas vezes, mestres das artes populares se queixaram de não ter tido oportunidade de se manifestar e cobrar
políticas públicas para fortalecer a cultura popular no Brasil.
“Queríamos uma plenária que de fato exigisse a nossa
participação, o que não estava presvisto na programação. Então, fizemos pressão.
Até então, estávamos em segundo plano durante o encontro. Se não fosse essa
plenária, quase não teríamos tido oportunidade para nos expressarmos”, disse, em
entrevista à Radiobrás, a artista Nazaré Moraes, do Acre, integrante do grupo
Jabuti-Bumbá Marupiara.
Diante da pressão, o governo cedeu e marcou uma plenária, não
prevista inicialmente na programação do encontro, para hoje (17) à tarde, com a
presença do secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da
Cultura, Sérgio Mamberti, e do secretário-adjunto da Secretaria da Identidade e
da Diversidade Cultural, Ricardo Lima.
Nesse espaço, delegados representantes da arte popular de
todos os estados brasileiros apresentaram suas queixas e colocaram sobre a mesa
uma série de reivindicações. Foi a atividade mais concorrida durante os quatro dias
de programação.
Nazaré Moraes aproveitou o
momento para pedir ao governo que ceda mais espaço para os artistas quando for
elaborar os próximos seminários nacionais de cultura. Nelson Rocha,
de Alagoas, disse que espera do governo mais envolvimento com as questões do
setor, “tornando uma realidade as reivindicações da classe”. A mestra Maria
José, do Amapá, pediu ao Ministério da Cultura a criação de um museu de cultura
hip hop e maiores investimentos em projetos voltados para a arte popular.
As reivindicações dos artistas brasileiros foram todas postas à
mesa, e o secretário Sérgio Mamberti, que chegou a
registrar todas elas, prometeu levá-las adiante e ver a possibilidade de
torná-las políticas públicas.
O secretário-adjunto Ricardo Lima disse que este ano não estava prevista uma
mesa só de mestres, porque a intenção maior dos dois eventos seria realizar trocas e intensificar o intercâmbio
cultural entre os diversos países sul-americanos.
“No ano passado, durante o 1º Seminário Nacional de Políticas
Públicas, foi feita uma mesa só com os mestres para que eles pudessem apresentar
suas demandas, demandas essas que foram levadas em consideração na elaboração de
programas de culturas populares. Neste ano, quisemos fazer um seminário de debate
teórico e para mostrarmos mais a produção dos mestres. E os mestres decidiram fazer uma mesa, que, por sinal, foi muito boa”, disse Ricardo Lima, em
entrevista à Radiobrás.