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18 de Setembro de 2006 - 11h05 - Última modificação em 18 de Setembro de 2006 - 14h53


Vinicultores querem de políticos mesma dedicação que produtores têm à terra

Spensy Pimentel
Enviado Especial

 
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Valter Campanato/ABr
Garibaldi (RS) - O vinicultor Jorge Mariani fala sobre as dificuldades que enfrenta para produzir e competir com produtores dos países vizinhos.
Garibaldi (RS) - O vinicultor Jorge Mariani fala sobre as dificuldades que enfrenta para produzir e competir com produtores dos países vizinhos. "A maioria dos agricultores familiares no país trabalha a vida inteira e não consegue ganhar o que um político ganha em um ano."
Garibaldi (RS) - Vindo de Verona, na Itália, o tataravô do vinicultor Jorge Mariani chegou a Garibaldi (RS) há 122 anos. Na propriedade onde, até hoje, Mariani produz vinho, há parreiras que contam essa história de dedicação à terra: elas têm 110 anos de idade.

Os políticos brasileiros poderiam aprender uma coisa com os agricultores: que, para se colher, tem todo um ritual a ser feito antes", diz ele.

Mariani dedicou os últimos sete anos da vida ao trabalho voluntário de presidir a Cooperativa dos Produtores Ecológicos de Garibaldi (Coopeg). Ele acredita que os políticos deveriam ter o mesmo tipo de dedicação ao bem coletivo.

"Hoje em dia, é difícil, o pessoal parece que só se preocupa com cargos e dinheiro", lamenta. "A maioria dos agricultores familiares no país trabalha a vida inteira e não consegue ganhar o que um político ganha num ano."

A criação da cooperativa e a produção de vinho orgânico foram alternativas que ele encontrou para concorrer num mercado cada vez mais difícil. Se produzisse vinho comum, individualmente, teria de aceitar os preços impostos pelas grandes indústrias ou concorrer, sozinho, com vinho falsificado ou contrabandeado, que, evidentemente, tem preços inalcançáveis para quem se dispõe a trabalhar honestamente.

Nos sete anos desde que iniciou a produção do vinho orgânico, Mariani jamais teve acesso a crédito oficial. Fez tudo com capital próprio e, para conseguir auxílio público para o projeto, na forma de assistência técnica, por exemplo, conta que teve de enfrentar descrédito. "Na própria Embrapa, no começo, tinha gente que dizia que a idéia era inviável", conta. Hoje, a Coopeg já obtém apoio técnico em diversos níveis.

Mariani reconhece que é um privilegiado: tem produtos com grande demanda e, portanto, alta capacidade de gerar o capital de que ele necessitou para investimento. Hoje, com o vinho e as uvas cultivadas no sistema ecológico, Mariani consegue uma renda mensal que ele estima entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil mensais – isso numa área cultivada de 9 hectares.

O produto de Mariani tem um mercado diferenciado, em ascensão, com preço melhor (30 a 35% superior ao vinho comum), poucos concorrentes – e, melhor, inalcançável para quem produz em larga escala. Hoje, 23 outros produtores da região participam da cooperativa.

Apesar do futuro promissor para a cooperativa, Mariani está preocupado com a viabilidade futura do negócio: ele e seus parceiros têm que arcar com uma carga tributária semelhante à que é aplicada aos grandes produtores de vinho convencional. "Não acho isso justo. Como pequeno produtor familiar e, ainda por cima, de uma agricultura orgânica, que não polui e preserva o meio ambiente, eu deveria poder pagar menos impostos."

Cheio de esperança na terra onde nasceu e na parceria que está construindo com os vizinhos, Mariani só anda mesmo desanimado é de continuar cumprindo com suas obrigações como contribuinte enquanto vê tanta notícia sobre denúncias de corrupção e desvios de dinheiro público. "Essas coisas aí acabam desacreditando. Eu fico com muito receio em quem votar. Vou colocar mais um só pra enriquecer a poupança dele?"


 


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