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20 de Setembro de 2006 - 18h28 - Última modificação em 20 de Setembro de 2006 - 18h28


Uso de agrotóxicos em países em desenvolvimento é violação a direitos humanos, diz pesquisadora da Costa Rica

Juliana Andrade
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O uso de agrotóxicos em países em desenvolvimentos é uma forma de violação aos direitos humanos, à vida e à saúde, afirmou hoje (20) a pesquisadora Catharina Wessling, coordenadora da Área de Saúde do Instituto Regional de Estudos em Substâncias Tóxicas da Universidade Nacional, situada na Costa Rica. Segundo a especialista, a maior utilização de agrotóxicos nesses países é reflexo da globalização.

Catharina Wessling participou do último dia de debates do 2º Encontro da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador. Ela apresentou dados que apontam intoxicação de 400 mil pessoas na América Central – 2% da população da região –, em 2001, devido ao uso de produtos agrotóxicos.

Dos sete países da região, Belize, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica foram os que registraram mais impactos negativos na saúde, segundo a pesquisadora. Ela lembrou que os 40 anos de existência de uma política de manejo seguro desse insumo não foram capazes de diminuir o problema: “Essa política tem sido um fracasso internacional total”.

O Código de Conduta da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) sobre uso de agrotóxicos, acrescentou, prevê que os países mantenham sistemas de vigilância adequados. “Mas nenhum dos países da América Central tem mais de dois funcionários nesses departamentos, e eles não têm nem capacidade técnica nem acadêmica para lidar com um problema tão complexo”, disse Catharina Wessling.

Entre as estratégias que ela propõe para reduzir os efeitos de agrotóxicos está o aumento do intercâmbio de experiências entre os países da América Latina. O governo brasileiro, segundo o coordenador da Área Técnica de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Marco Antonio Pérez, tem interesse nessa troca de informações.

Pérez lembrou que o uso inadequado do insumo é um problema comum a todos os países latino-americanos. E citou o exemplo da própria Costa Rica, onde movimentos comunitários trabalham para conscientizar produtores e trabalhadores rurais sobre os riscos dos agrotóxicos. 



 


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