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Brasília -
A reforma do judiciário pode ser feita de maneira que
consiga conciliar tanto questões econômicas quanto a proteção aos direitos
humanos, afirmou o secretário de Reforma do Judiciário do Ministério da
Justiça, Pierpaolo Bottini. Ele foi mediador hoje (20) do painel sobre Reforma
do Sistema de Justiça na Conferência Inter-regional sobre Sistemas de Justiça e
Direitos Humanos.
Segundo Bottini, quando se pensa em reforma do sistema
judiciário é preciso garantir os direitos humanos e a estabilidade jurídica
para com isso permitir o desenvolvimento econômico. “Na reforma do sistema
jurídico temos que cuidar da proteção de direitos humanos, do acesso à justiça,
da garantia dos direitos fundamentais e da estruturação do judiciário para
responder essas violações de direitos fundamentais. Com as discussões aqui
poderemos nos orientar para fazer uma reforma do judiciário tanto com vistas na
economia quanto com vistas a proteção de direitos humanos.”, disse.
Entre os projetos de reforma do judiciário relacionados com
a proteção dos direitos humanos, o mais importante, de acordo com Bottini, é o
que federaliza os crimes contra direitos humanos. “Esse mecanismo permite que a
Polícia Federal investigue o crime quando as autoridades estaduais não
estiveram apurando o caso como deviam”. E acrescentou que quem decide se o caso
será encaminhado para a Justiça Federal é o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Bottini lembrou que nenhum crime foi ainda federalizado, mas
citou como exemplo o caso do assassinato da freira Dorothy Stang, que se tentou
levar para investigação da Justiça Federal. De acordo com Bottini, caso fosse
comprovado que houve alguma omissão das autoridades que estavam investigando o
caso, o STJ poderia federalizar esse crime. Stang foi assassinada no Pará por defender
o movimento de reforma agrária na região.
Organizada pelo Conselho Britânico, a conferência terminou
hoje e reuniu representantes da América Latina, Índia, África do Sul e Reino
Unido.
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