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Brasília - Há 20 anos, a organização não-governamental (ONG) Centro de Tecnologias Alternativas Populares (Cetap) ensina agricultores familiares do Rio Grande do Sul a substituir agrotóxicos por técnicas alternativas, na prática da chamada agricultura ecológica. Atualmente, a ONG trabalha com 120 famílias, em 15 municípios do norte do estado.
Segundo a agrônoma Raniera Aparecida da Silva, na maioria dos casos esses produtores rurais usavam produtos agrotóxicos para combater pragas ou espécies invasoras. E, com a ajuda da Cetap, trocaram esses insumos por outros como a calda de pimenta, que ajuda a espantar insetos da plantação.
Os agricultores familiares, explicou, abandonaram a agricultura tradicional principalmente por questões de saúde. “O trabalhador ou a trabalhadora se deu conta de que o agrotóxico estava fazendo mal e decidiu buscar uma alternativa”, disse Raniera da Silva, que participou hoje (20) do 2º Encontro Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador.
No encontro, a agrônoma apresentou dados de pesquisa realizada entre 2003 e 2004, em um município do norte do Rio Grande do Sul, com 922 famílias. Dessas, 12% viviam no meio rural. Por questões éticas, ela preferiu não citar o nome do município. O estudo revelou que 95% das famílias usavam agrotóxicos e que 75% delas tinham conhecimento dos males que esses insumos poderiam causar à saúde humana e ao meio ambiente.
De acordo com Raniera da Silva, o estudo reflete a realidade de boa parte dos agricultores familiares do Rio Grande do Sul: “A gente pode transpor a pesquisa para qualquer município”.
Entre os motivos para o uso do agrotóxico, os mais citados pelas famílias entrevistadas foram garantir a produção, controlar pragas e economizar tempo e trabalho.
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