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Brasília - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Sanguessugas já está de posse do dossiê que ligaria políticos ao esquema de compra superfaturada de ambulâncias, além de outros documentos referentes ao caso. Todo o material foi colocado num cofre da comissão pelo sub-relator Fernando Gabeira (PV-RJ).
Gabeira e o também sub-relator Carlos Sampaio (PSDB-SP) receberam a documentação hoje (22) do delegado da Polícia Federal Diógenes Curado e do procurador da República Mário Lúcio Avelar, responsáveis pelas investigações em Cuiabá. Eles estiveram em Brasília para tomar depoimentos.
Segundo Gabeira, o material ficará trancado no cofre da CPMI e só deverá ser aberto após as eleições pelo presidente da comissão, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ).
O deputado do PV afirmou que os documentos estão sob sigilo, porque a Justiça assim determinou, e que não cabe à CPMI quebrá-lo. "Nós estamos acompanhando as investigações, e não fazendo. A CPMI não me autorizou a investigar. Para fazer investigações, precisamos do respaldo do plenário, que só volta a se reunir no dia 4 de outubro”.
Gabeira admitiu que a CPMI poderá criar uma sub-comissão para ajudar na investigação. "Isso vai depender do nível de nebulosidade em 4 de outubro, quando haverá reunião".
Segundo ele, o procurador Mário Lúcio Avelar disse que está trabalhando para descobrir rapidamente a origem do dinheiro apreendido pela Polícia Federal. O sub-relator disse ainda que o lugar certo para obter essa informação é o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
"Se alguém quiser investigar a origem do dinheiro, só há um caminho: ir ao Coaf. Se foi fácil rastrear a parte dos dólares indo ao Fed [Banco Central dos Estados Unidos], com os reais deveria ser mais fácil".
Além do dossiê, a CPMI obteve registro dos depoimentos tomados em São Paulo e Cuiabá, de pessoas supostamente envolvidas com a elaboração e compra do material, de recibos e indicações de algumas agências bancárias.
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