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22 de Setembro de 2006 - 14h55 - Última modificação em 22 de Setembro de 2006 - 14h56


Ministério da Saúde celebra acordo para melhorar serviços na saúde mental no Rio

Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - Um acordo assinado hoje (21) entre o Ministério da Saúde, a Secretaria municipal de Saúde do Rio e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vai promover pesquisa e formação de recursos humanos na área de Saúde Mental.

O acordo prevê cursos de atualização e de residência médica para psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, supervisão clínica para melhorar a qualidade dos serviços e realização de pesquisas relacionadas ao funcionamento da rede de serviços de saúde mental, inclusive uma pesquisa de satisfação dos pacientes e familiares. Além disso, haverá também a montagem de um banco de dados com informações em saúde mental para o município e o estado do Rio.

Segundo o coordenador da área técnica de Saúde Mental do Ministério da Saúde da Saúde, Pedro Gabriel, este é o primeiro de vários acordos que serão firmados em todo o país. “O Brasil tem uma rede de universidades federais que está em todos os estados, e nós vamos celebrar esses convênios para colocar a universidade dentro do Sistema Único de Saúde”.

As ações de capacitação e formação terão como foco os 22 mil profissionais de nível superior que trabalham nos centros de atenção psicossocial (Caps), que funcionam em todo o território nacional, e também as 25 mil equipes do programa Saúde da Família, que precisam ser treinadas na área de saúde mental. “É uma tarefa gigantesca e nós estamos dando o primeiro passo aqui no Rio de Janeiro”.

De acordo com Gabriel, cerca de 12% da população brasileira necessita hoje de tratamento na área de saúde mental, e o maior desafio para atender essa demanda crescente é a disponibilidade de recursos humanos. “Temos escassez de profissionais. Não temos, por exemplo, psiquiatras em municípios de pequeno porte. Muitos estados, não têm terapeutas ocupacionais, que são profissionais importantes para as oficinas terapêuticas”.

Gabriel explicou que o processo de reestruturação na psiquiatria, a chamada reforma psiquiátrica, ocorrido no país na década de 90, “mudou o perfil da formação no campo da saúde mental e mostrou a necessidade de ampliar cursos e escolas’’ e, até agora, este é um gargalo que precisa ser superado.

O acordo foi celebrado durante a cerimônia de comemoração dos 40 anos do Instituto Philippe Pinel e da Associação Brasileira de Psiquiatria.       

Hospital psiquiátrico administrado pela prefeitura do Rio a partir de 2002, o Instituto Philippe Pinel foi criado em 1966 e teve seu trabalho sempre associado à UFRJ. O instituto foi um dos pioneiros na implantação de novos métodos no tratamento psiquiátrico e no estabelecimento de uma nova visão da saúde mental como um processo que envolve, além de aspectos orgânicos e psicológicos, a dimensão social.

O diretor do instituto, Mário Barreira Campos, disse que o Pinel é “um dos principais lugares de criação de modelos alternativos, tanto na área de assistência quanto na área de recursos humanos em saúde mental”.

Em 1994, foi criado no instituto um programa de residência integrado em saúde mental em que, junto com o programa de residência médica em psiquiatria, profissionais de psicologia, serviço social e enfermagem passaram a serem treinados também para o trabalho em equipe nesta área. 

Inovações na assistência aos pacientes também foram feitas no Pinel. Desde 1994, por exemplo, as enfermarias foram abertas, permitindo aos pacientes circular pelo hospital, o que não acontecia em outras instituições.

No Brasil, a substituição do modelo psiquiátrico, com implementação dos Caps, foi feita nos últimos 10 anos. Conforme o levantamento “Avaliar Caps 2005”, realizado no ano passado pelo Ministério da Saúde, o novo sistema de atendimento permitiu que se reduzisse o número de internações de pacientes graves em comparação com o período em que eram atendidos pelo sistema de ambulatório e hospital. A pesquisa também indicou aumento na participação dos parentes, que passaram a ser parceiros no tratamento.



 


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