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Rio de Janeiro - Um acordo assinado hoje (21) entre o
Ministério da Saúde, a Secretaria municipal de Saúde do Rio e a
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vai promover pesquisa e
formação de recursos humanos na área de Saúde Mental. O
acordo prevê cursos de atualização e de residência médica para
psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e terapeutas
ocupacionais, supervisão clínica para melhorar a qualidade dos serviços
e realização de pesquisas relacionadas ao funcionamento da rede de
serviços de saúde mental, inclusive uma pesquisa de satisfação dos
pacientes e familiares. Além disso, haverá também a montagem de um
banco de dados com informações em saúde mental para o município e o
estado do Rio. Segundo o coordenador da
área técnica de Saúde Mental do Ministério da Saúde da Saúde, Pedro
Gabriel, este é o primeiro de vários acordos que serão firmados em todo
o país. “O Brasil tem uma rede de universidades federais que está em
todos os estados, e nós vamos celebrar esses convênios para colocar a
universidade dentro do Sistema Único de Saúde”. As
ações de capacitação e formação terão como foco os 22 mil profissionais
de nível superior que trabalham nos centros de atenção psicossocial
(Caps), que funcionam em todo o território nacional, e também as 25 mil
equipes do programa Saúde da Família, que precisam ser treinadas na
área de saúde mental. “É uma tarefa gigantesca e nós estamos dando o
primeiro passo aqui no Rio de Janeiro”. De
acordo com Gabriel, cerca de 12% da população brasileira necessita hoje
de tratamento na área de saúde mental, e o maior desafio para atender
essa demanda crescente é a disponibilidade de recursos humanos. “Temos
escassez de profissionais. Não temos, por exemplo, psiquiatras em
municípios de pequeno porte. Muitos estados, não têm terapeutas
ocupacionais, que são profissionais importantes para as oficinas
terapêuticas”. Gabriel explicou que o
processo de reestruturação na psiquiatria, a chamada reforma
psiquiátrica, ocorrido no país na década de 90, “mudou o perfil da
formação no campo da saúde mental e mostrou a necessidade de ampliar
cursos e escolas’’ e, até agora, este é um gargalo que precisa ser
superado. O acordo foi celebrado
durante a cerimônia de comemoração dos 40 anos do Instituto Philippe
Pinel e da Associação Brasileira de
Psiquiatria. Hospital
psiquiátrico administrado pela prefeitura do Rio a partir de 2002, o
Instituto Philippe Pinel foi criado em 1966 e teve seu trabalho sempre
associado à UFRJ. O instituto foi um dos pioneiros na implantação de
novos métodos no tratamento psiquiátrico e no estabelecimento de uma
nova visão da saúde mental como um processo que envolve, além de
aspectos orgânicos e psicológicos, a dimensão social. O
diretor do instituto, Mário Barreira Campos, disse que o Pinel é “um
dos principais lugares de criação de modelos alternativos, tanto na
área de assistência quanto na área de recursos humanos em saúde mental”. Em
1994, foi criado no instituto um programa de residência integrado em
saúde mental em que, junto com o programa de residência médica em
psiquiatria, profissionais de psicologia, serviço social e enfermagem
passaram a serem treinados também para o trabalho em equipe nesta
área. Inovações na
assistência aos pacientes também foram feitas no Pinel. Desde 1994, por
exemplo, as enfermarias foram abertas, permitindo aos pacientes
circular pelo hospital, o que não acontecia em outras instituições. No
Brasil, a substituição do modelo psiquiátrico, com implementação dos
Caps, foi feita nos últimos 10 anos. Conforme o levantamento “Avaliar
Caps 2005”, realizado no ano passado pelo Ministério da Saúde, o novo
sistema de atendimento permitiu que se reduzisse o número de
internações de pacientes graves em comparação com o período em que eram
atendidos pelo sistema de ambulatório e hospital. A pesquisa também
indicou aumento na participação dos parentes, que passaram a ser
parceiros no tratamento.
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