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Ponta Porã (MS) - A prisão aconteceu no último sábado,
como conta o delegado Mário Donizete Ferraz de Queiroz, da Polícia Civil em
Ponta Porã (MS). Cada um dos dois homens esperava ganhar R$ 1 mil quando
entregasse, em Campo Grande, a 340 quilômetros da fronteira com o Paraguai, os
35 quilos de maconha que carregava.
Eram desempregados, vindos de Sidrolândia, uma
outra cidade do interior do estado. O detalhe: a droga era transportada nas
garupas das bicicletas que eles já haviam conduzido por 90 quilômetros, durante
três dias, na BR-463.
"Eles estavam famintos, queimados de sol,
acabados quando chegaram aqui. E o pior é que, provavelmente, não vai acontecer
nada com o sujeito que os contratou", diz o delegado.
Ele explica que os "mulas" presos na
região de fronteira, em geral, vêm de fora, muitas vezes, de outros estados
como São Paulo ou Mato Grosso. Trata-se de gente que não tem outra alternativa
de trabalho, certamente, mas, como analisa o policial, fez a opção pela
ilegalidade.
Para o economista Milton Batista Fróes, que
leciona na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul em Ponta Porã, esse tipo
de episódio chama a atenção para um fenômeno brasileiro: a falta de
alternativas econômicas tem empurrado para a informalidade e a ilegalidade uma
parcela crescente da população.
"Se tivessem emprego, muitas dessas pessoas
não fariam esse tipo de trabalho", diz ele.
Fróes acredita que, na região de fronteira, a
maior facilidade para ligar-se a atividades ilegais, como o contrabando e o
tráfico de drogas e armas, era preciso haver especial atenção: "Era
preciso injetar dinheiro aqui para gerar alternativas econômicas, para que as
pessoas não se sentissem incentivadas a passar à ilegalidade".
O também delegado da Polícia Civil Clemir Vieira
Jr. afirma que, a despeito das dificuldades, nos últimos anos, o combate ao
crime na fronteira do Brasil com o Paraguai tem avançado. "Claro que
existe dificuldade, mas nós temos improvisado, temos conseguido muita coisa por
meio da integração com as autoridades do país vizinho", diz ele.
Uma legislação específica para as regiões de
fronteira seca seria importante, segundo o delegado, para facilitar essa
cooperação. "Por exemplo, quando há uma perseguição, um crime que acontece
no outro país e a pessoa foge pra cá, ou vice-versa. Às vezes temos de esperar
dias pela burocracia. Isso atrapalha."
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