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23 de Setembro de 2006 - 17h27 - Última modificação em 23 de Setembro de 2006 - 17h28


Alternativas de trabalho para população pobre ajudariam a diminuir crimes na fronteira, avalia economista

Spensy Pimentel
Repórter da Agência Brasil

 
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Ponta Porã (MS) - A prisão aconteceu no último sábado, como conta o delegado Mário Donizete Ferraz de Queiroz, da Polícia Civil em Ponta Porã (MS). Cada um dos dois homens esperava ganhar R$ 1 mil quando entregasse, em Campo Grande, a 340 quilômetros da fronteira com o Paraguai, os 35 quilos de maconha que carregava.

Eram desempregados, vindos de Sidrolândia, uma outra cidade do interior do estado. O detalhe: a droga era transportada nas garupas das bicicletas que eles já haviam conduzido por 90 quilômetros, durante três dias, na BR-463.

"Eles estavam famintos, queimados de sol, acabados quando chegaram aqui. E o pior é que, provavelmente, não vai acontecer nada com o sujeito que os contratou", diz o delegado.

Ele explica que os "mulas" presos na região de fronteira, em geral, vêm de fora, muitas vezes, de outros estados como São Paulo ou Mato Grosso. Trata-se de gente que não tem outra alternativa de trabalho, certamente, mas, como analisa o policial, fez a opção pela ilegalidade.

Para o economista Milton Batista Fróes, que leciona na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul em Ponta Porã, esse tipo de episódio chama a atenção para um fenômeno brasileiro: a falta de alternativas econômicas tem empurrado para a informalidade e a ilegalidade uma parcela crescente da população.

"Se tivessem emprego, muitas dessas pessoas não fariam esse tipo de trabalho", diz ele.

Fróes acredita que, na região de fronteira, a maior facilidade para ligar-se a atividades ilegais, como o contrabando e o tráfico de drogas e armas, era preciso haver especial atenção: "Era preciso injetar dinheiro aqui para gerar alternativas econômicas, para que as pessoas não se sentissem incentivadas a passar à ilegalidade".

O também delegado da Polícia Civil Clemir Vieira Jr. afirma que, a despeito das dificuldades, nos últimos anos, o combate ao crime na fronteira do Brasil com o Paraguai tem avançado. "Claro que existe dificuldade, mas nós temos improvisado, temos conseguido muita coisa por meio da integração com as autoridades do país vizinho", diz ele.

Uma legislação específica para as regiões de fronteira seca seria importante, segundo o delegado, para facilitar essa cooperação. "Por exemplo, quando há uma perseguição, um crime que acontece no outro país e a pessoa foge pra cá, ou vice-versa. Às vezes temos de esperar dias pela burocracia. Isso atrapalha."



 


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