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27 de Setembro de 2006 - 15h52 - Última modificação em 27 de Setembro de 2006 - 16h17


Quilombolas do litoral paulista ganham reconhecimento federal e título de propriedade

Luciana Vasconcelos e Carolina Pimentel
Repórteres da Agência Brasil

 
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Roosewelt Pinheiro/ABr
Brasília - Entrevista coletiva da ministra da Secretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, após Cerimônia de assinatura do Decreto que reconhece área remanescente de quilombo. Brasília - Entrevista coletiva da ministra da Secretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, após Cerimônia de assinatura do Decreto que reconhece área remanescente de quilombo.
Brasília - As 53 famílias que vivem na comunidade quilombola de Caçandoca, em Ubatuba, no litoral paulista, agora têm garantido o direito sobre os 210 hectares de terra onde vivem. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou hoje (27) um decreto dando o título de propriedade aos remanescentes de escravos da fazenda de café Caçandoca. Os quilombolas ocupam a área desde o século 19. O grupo é um dos principais na luta pelo reconhecimento dos remanescentes de quilombo no estado de São Paulo, onde há o maior número de comunidades reconhecidas.

Em dezembro de 2005, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tinha reconhecido como território de comunidade quilombola a área. O reconhecimento do território era o último estágio antes da desapropriação da terra e da transferência da posse definitiva aos membros da comunidade.

Na cerimônia, Lula disse que a área do quilombo está localizada em lugar privilegiado de São Paulo e que deve ter muita gente “bronqueada” com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) por garantir a posse de terras aos quilombolas da região. “Porque para algumas pessoas parece absurdo que o governo resolva em um centro turístico importante reconhecer que famílias de afro-descendentes queiram aquela terra”, afirmou.

“Os especuladores estão que nem mosca em pão de padaria tentando ficar ricos a custa de uma área que tem um dono original. Que são as pessoas que moraram ali a vida inteira. Então, portanto é deles”, acrescentou. Para ele, está sendo feita justiça ao reconhecer as terras “daqueles que foram durante séculos vítimas de atrocidades no mundo e no nosso país”.

O presidente disse ainda que é grande a burocracia para conseguir fazer a concessão de terras. “É de tal magnitude que às vezes entra governo e sai governo e não consegue fazer uma única área. Não é uma tarefa fácil. Parece simples quando está no papel, mas é uma tarefa muito difícil quando começa a executar”, afirmou.

A área é ocupada descendentes de escravos da fazenda Caçandoca, antiga produtora de café, aguardente de cana, banana e mandioca. No ano 2000, depois de realizar pesquisa antropológica, o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) reconheceu os membros da comunidade como descendentes de escravos quilombolas.

Segundo a Constituição Federal, é reconhecida a propriedade definitiva aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras, "devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos".


 


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